O número um do CDS às eleições europeias, Nuno Melo, em entrevista à TVI24, esta sexta-feira, acusou António Costa de "nacionalizar a campanha para as eleições europeias".

Tem cartazes espalhados pelo mundo todo a dizer “Nós Somos Europa”, mas nos discursos diz que as europeias serão uma primeira volta das legislativas e a oportunidade para uma moção de confiança ao Governo", explicou.

O centrista sublinhou que, se o primeiro-ministro "quer transformar as eleições europeias numas eleições nacionais, então o CDS não vai fugir da discussão".

Será então a primeira oportunidade para os eleitores penalizarem o Governo e nas urnas optarem por uma estrondosa moção de censura ao Governo, porque não merece outra coisa", afirmou.

Além de António Costa, o eurodeputado deixou críticas também ao cabeça de lista do PS às europeias, Pedro Marques. Nuno Melo classificou como um "exercício cínico" o facto de o candidato socialista "tentar associar a austeridade ao Governo do PSD e do CDS".

Não aceito essa associação, porque Pedro Marques foi governante de Sócrates, entre 2005 e 2011, num Governo que arruinou um país, negociou um programa de austeridade e trouxe a Troika para Portugal. Há uma grande diferença entre quem deixa as faturas e quem as tem que pagar. E o que o CDS fez foi pagar as faturas que Pedro Marques, enquanto governante de Sócrates, deixou", referiu.

Falando da União Europeia, o candidato do CDS foi confrontado com o facto de não ser um "europeísta convicto", mas recusou essa ideia. 

O CDS é profundamente europeísta, não é é federalista. Daí o equívoco. Eu defendo o princípio da subsidiariedade: uma regra nos tratados da União Europeia que diz que os Estados devem fazer o que a União Europeia não faça melhor. Portanto, eu sou profundamente europeísta e respeitador dos tratados, na base do principio da subsidiariedade", justificou.

Sobre o seu percurso enquanto eurodeputado, Nuno Melo destacou o facto de ser relator de uma diretiva "que vai ser o maior passo a 28 países no combate ao terrorismo na União Europeia".

A proposta é da Comissão Europeia e o que fará é ligar informações que hoje diferentes polícias e entidades têm e não partilham. Por exemplo, o atentado na Alemanha foi cometido por um refugiado afegão que tinha requerido axilo com 14 identidades diferentes na União Europeia. Estes dados deviam ser partilhados", alertou.

O centrista foi ainda questionado sobre a questão dos refugiados e sobre qual deve ser o papel da União Europeia. Para o centrista, o mais importante é "sermos humanistas, mas com segurança".

Todas pessoas que realmente preenchem o estatuto de refugiado têm de ser acolhidas na base dos tratados. Qualquer pessoa que foge de uma guerra e que quer salvar a sua vida e a da sua família tem de ser acolhida, Mas, entre as pessoas que requerem axilo, há gente boa e gente má. O papel dos políticos é assegurar humanismo, mas com segurança. É só isso que defendo, explicou.

Nuno Melo sublinhou também que "a maior ação de produtos agroalimentares que acontece na União Europeia" é promovida por si, referindo-se à iniciativa "O Melhor de Portugal", que acontece todos os anos na Bélgica.

Os meus adversários chamam-lhe feira, mas eu acredito num país em que a agricultura é um setor estratégico. Nessa feira, temos todos os anos produtores do melhor que se faz em Portugal. Houve pessoas que nunca tinham vendido uma garrafa de vinho ou uma compota na Europa e que, por causa dessa feira, ganharam mercado", sublinhou, acrescentando que a iniciativa se traduziu num aumento das exportações de Portugal para a Bélgica.

O eurodeputado quis destacar ainda o seu trabalho como membro da Comissão de Agricultura no Parlamento Europeu, deixando elogios à Política Agrícola Comum (PAC). 

Por causa da Política Agrícola Comum não temos fome na União Europeia e temos alimentos de qualidade, seguros e a baixo custo. E Portugal não tinha agricultura se não fosse a PAC. Não daria cartas nesse setor se não fosse a PAC", salientou.

"Se me disserem que o Podemos é de extrema-esquerda, eu não me importo de dizer que o Vox é de extrema-direita"

Sobe a ascensão da extrema-direita na política europeia, Nuno Melo afirmou que há uma "dualidade de critérios".

Se me disserem que o Podemos é de extrema-esquerda, eu não me importo de dizer que o Vox é de extrema-direita. O que não aceito é que se diga que o Vox é de extrema-direita e que o Podemos não é de extrema-esquerda. O Podemos tem um líder que diz que a Venezuela é uma democracia exemplar e não é considerado de extrema-esquerda", defendeu.

Para o centrista, "a imprensa tem uma condescendência com a extrema-esquerda que não tem com a extrema-direita".

Nós temos uma festa do Avante em Portugal onde o PCP convida delegações dos terroristas das FARC da Colômbia, delegações da Venezuela chavista e agora de Nicolás Maduro e delegações de Cuba, mas não são considerados extremistas. Se fosse um partido de direita que convidasse o equivalente à direita, era tratado como aquilo que era: de extrema-direita", lamentou.

Durante a entrevista, houve ainda espaço para falar sobre Mário Centeno. Nuno Melo afirmou que o discurso do socialista enquanto líder do Eurogrupo "não cola com o discurso do PS".

Temos o Eurogrupo, que é liderado por Centeno, a dizer que Portugal vai ter que ter medidas adicionais para controlar o défice e depois temos o secretário de Estado Adjunto das Finanças, Mourinho Félix, a dizer que o Orçamento do Estado já acomodou todas as medidas necessárias para cumprimento das metas europeias. Ou seja, Centeno diz uma coisa como presidente do Eurogrupo a Portugal que Portugal recusa através do secretário de Estado do ministro Centeno", referiu.

Apesar disso, Nuno Melo afirmou que prefere que seja um português, "desde que não seja incompetente", a liderar o Eurogrupo, "porque conhece a nossa realidade".