O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, considerou hoje “um direito” a candidatura às presidenciais da ex-eurodeputada socialista Ana Gomes e afirmou que os comunistas apresentam o seu candidato em 12 de setembro.

É o exercício de “um direito” constitucional de Ana Gomes, resumiu Jerónimo de Sousa, em declarações aos jornalistas, depois de uma visita à escola António Arroio, em Lisboa, em vésperas de abertura do ano letivo.

"Nós fazemos o registo de alguém que quer exercer um direito constitucional que lhe assiste. Muito bem", afirmou o líder dos comunistas, para quem a "preocupação principal é o papel" que a candidatura do partido, que "dentro em breve vai ser anunciada", "vai propor aos portugueses" na defesa dos direitos dos trabalhadores", das "camadas que estão a ser atingidas por esta situação pandémica" ou no "respeito pela Constituição". 

O líder comunista, que já concorreu por duas vezes à Presidência da República (1996 e 2006), excluiu voltar a concorrer e afirmou que "esta semana ou na próxima" os comunistas anunciam o seu "candidato ou candidata" às próximas presidenciais.

Eu candidato? Costuma-se dizer que não há duas sem três, mas já participei nessas batalhas", respondeu, com uma risada.

Disse, porém, sem "dar nenhuma informação apressada" que, "com certeza" o partido terá "outro candidato, outra candidata que será anunciado talvez no dia 12, mais coisa menos coisa".

A reunião do comité central do PCP para decidir o candidato às presidenciais está prevista para dia 12 de setembro, confirmou à Lusa um membro da direção do partido.

A ex-eurodeputada socialista Ana Gomes vai fazer uma declaração sobre a sua candidatura a Presidente da República na quinta-feira, às 16:30, na Casa de Imprensa, em Lisboa, disse a própria à agência Lusa.

Ana Gomes confirmou hoje de madrugada à Lusa que vai ser candidata a Belém nas eleições presidenciais de janeiro.

A notícia da candidatura presidencial de Ana Gomes foi avançada pelo jornal Público, a quem a ex-dirigente socialista declarou: "Serei candidata."

OE2021: Para já, diálogo com Governo é no parlamento

O secretário-geral do PCP remeteu o diálogo do seu partido com o Governo sobre o Orçamento de Estado de 2021 para o parlamento e afirmou que ainda não tem qualquer encontro marcado com o primeiro-ministro.

“Haveremos de encontrar formas de relacionamento normal e natural que tem sempre existido na Assembleia da República”, afirmou Jerónimo de Sousa.

Até ao momento, Jerónimo disse não ter agendado qualquer encontro com António Costa, apesar de faltar um mês para a entrega do Orçamento no parlamento, e remeteu os contactos entre o PCP e o Governo minoritário do PS para o nível parlamentar.

Habitualmente, grande parte dos contactos dos comunistas com o executivo sobre o Orçamento é feito a nível da Assembleia da República, havendo encontros entre Jerónimo e Costa ou no início ou no fim do processo de consultas.

Já sobre eventuais exigências de, no Orçamento, não estarem previstas mais verbas para o Novo Banco, o líder e deputado comunista insistiu na passagem do banco para controlo do Estado - uma posição que o partido tem vindo a defender há anos.

Na sexta-feira, na festa do Avante, o secretário-geral comunista considerou que um acordo escrito com o Governo minoritário socialista é "claramente dispensável", ressalvando que o PCP aguarda pelo próximo Orçamento do Estado e está disponível para "dar a sua contribuição".

No discurso de encerramento, no domingo, Jerónimo de Sousa disse que "não vale a pena sentenciar que o PCP não conta", sublinhando que o partido "conta muito e decisivamente" para defender os interesses dos portugueses.

/ BC