O candidato à liderança do PSD, Miguel Pinto Luz, afirmou, este sábado, que está preocupado com o estado atual do partido e adiantou que não aceita um "PSD destituído de ambição".

Considero preocupante o estado atual do nosso partido. Não aceito um PSD destituído de ambição (...). Eu quero ganhar eleições, quero ganhar as autárquicas e as legislativas", afirmou Miguel Pinto Luz.

O candidato à liderança do PSD deslocou-se, este sábado, ao Fundão, distrito de Castelo Branco, onde fez uma intervenção no II Congresso da Coesão Territorial, uma iniciativa organizada pela Juventude Social Democrata (JSD) e na qual participam os restantes candidatos, Rui Rio e Luís Montenegro.

Há gente que gosta apenas de partes do PSD. Não sei o que é gostar a 50%. Ou se gosta ou não se gosta. Nunca procurei o partido em busca de cargos. Acredito que a politica só faz sentido da seguinte forma: serviço público", frisou.

Miguel Pinto Luz, que fez uma intervenção quase sempre ao ataque, mas sem nunca referir o nome de nenhum dos seus adversários, recordou que em 17 anos o PSD delapidou um capital enorme: "Perdemos 12 pontos em 17 anos".

Adiantou ainda que ficou "chocado", durante a última campanha eleitoral para as legislativas com o facto de o PSD nunca ter utilizado a palavra "mudança".

Parece que estamos confortáveis com o 'status quo' (...). Parece que o PSD desligou a tomada ao mundo real. Não permitirei, o meu PSD não o permitirá", sublinhou.

Candidatura de Pinto Luz diz ter apoio de nove das dez concelhias de Lisboa

 A candidatura de Miguel Pinto Luz à liderança do PSD afirmou, este sábado, contar com o apoio de nove das dez concelhias do distrito de Lisboa, todas exceto Sintra, e com apoio público do presidente da distrital, Ângelo Pereira.

Um PSD que permita que os filhos possam ter uma vida melhor que a dos seus pais e que os pais possam ter uma velhice com dignidade. O Miguel sabe que pode contar comigo e com o distrito de Lisboa!", refere Ângelo Pereira.

Na sexta-feira decorreu uma reunião alargada da Comissão Política Distrital de Lisboa, na qual foi comunicado que a estrutura não vai apoiar formalmente nenhum dos candidatos à liderança do partido nas diretas de janeiro, segundo relatos à Lusa de fontes presentes no encontro.

Em comunicado, a candidatura do vice-presidente da Câmara de Cascais refere que "a distrital de Lisboa do PSD é composta por dez concelhias, nove das quais apoiam Miguel Pinto Luz".

Questionada pela Lusa, fonte da mesma candidatura explicou que apenas Sintra não expressou esse apoio. Assim, de acordo com a candidatura de Pinto Luz, este conta com as concelhias de Lisboa, Cascais, Oeiras, Odivelas, Loures, Amadora, Mafra, Vila Franca de Xira e Amadora.

O apoio a Miguel Pinto Luz não é, contudo, unânime entre a nova direção da distrital de Lisboa, eleita em 9 de novembro, já que, por exemplo, o vice-presidente, Rodrigo Gonçalves, está com Luís Montenegro e o vogal Américo Vitorino com o atual líder Rui Rio.

A distrital de Lisboa Área Metropolitana do PSD é a segunda em número de militantes ativos (com pelo menos uma quota paga nos últimos dois anos), cerca de 12.700, atrás da do Porto (mais de 16 mil), mas, neste momento, é a que tem maior número de militantes em condições de votar.

As eleições diretas para escolher o próximo presidente do PSD realizam-se em 11 de janeiro, com uma eventual segunda volta uma semana depois, e o congresso está marcado para entre 07 e 09 de fevereiro, em Viana do Castelo.

Além de Pinto Luz, apresentaram-se como candidatos à liderança do PSD, até agora, o atual presidente Rui Rio e o antigo líder parlamentar Luís Montenegro.