O presidente do PSD, Rui Rio, destacou este domingo “o resultado francamente positivo” nas eleições regionais dos Açores, considerando que a perda da maioria absoluta do PS mostra “um notório desgaste do governo regional” socialista, tal como do executivo nacional.

Na sede do PSD/Porto, Rui Rio falou aos jornalistas pouco depois de se conhecerem os resultados finais das eleições dos Açores, nas quais o PS perdeu a maioria absoluta, elegendo 25 deputados do total de 57 parlamentares da Assembleia Legislativa Regional.

Queria começar por realçar o resultado francamente positivo que o PSD alcançou nos Açores e o resultado muitíssimo abaixo daquilo que eram as expectativas do PS para estas eleições”, referiu.

O presidente do PSD comparou os números dos dois maiores partidos e referiu que o PS “perdeu 7,5% dos votos e perdeu cinco deputados regionais”, enquanto o “PSD subiu 3% e subiu dois deputados regionais”.

Há um notório desgaste do governo regional, tal como aqui, no continente, há um notório desgaste do Governo nacional, mas mesmo assim o resultado francamente positivo”, apontou.

Rui Rio rejeitou intrometer-se nas decisões da estrutura regional dos Açores, mas admitiu que, tendo em conta o fracionamento da direita, “não é fácil conseguir juntar todos os partidos” numa maioria.

Em face destes resultados, a governabilidade dos Açores não é simples, porque a esquerda não consegue maioria”, afirmou.

Sendo “verdade que a direita tem mais do que a esquerda” e que “a direita toda, efetivamente, consegue” atingir uma maioria, Rui Rio apontou que “a direita toda é muito fracionada, tem muitos partidos e, portanto, é algo que não será fácil”.

Não me quero intrometer naquilo que é uma decisão que cabe à comissão política regional dos Açores, e sabem que isto é sempre melindroso. As autonomias são sempre muito ciosas da sua autonomia”, justificou, perante a insistência dos jornalistas para uma abertura do PSD em juntar-se aos partidos de direita que conseguiram eleger deputados.

Assim, “não como presidente do PSD, mas analisando os resultados”, o social-democrata reiterou que “não é fácil conseguir juntar os partidos à direita porque, ainda por cima, são muitos”.

Tenho a minha ideia sobre aquilo que eventualmente irá acontecer, mas não queria dizer”, disse apenas.

Assim, de acordo com Rui Rio, “será o PSD nos Açores que irá determinar aquilo que pretende fazer, sendo que antes disso também o PS, que é quem vai ser chamado a fazer o Governo regional, terá de decidir a forma como o irá o fazer”.

O primeiro passo é do PS e não do PSD, porque foi mais votado do que o PSD”, sinalizou.

O presidente do PSD/Açores disse no domingo que o partido tem “total disponibilidade para o diálogo” e para a “concertação”, após os resultados das eleições regionais, frisando, contudo, que não se comove por “posições extremistas”.

Do ponto vista do quadro parlamentar que hoje existe, posso garantir-vos humildemente a minha total disponibilidade para o diálogo, para a concertação, e não haverá nenhuma declaração unilateral sem antes interpretarmos a vontade do povo”, declarou José Manuel Bolieiro.

O líder social-democrata açoriano falava na sede do partido em Ponta Delgada, após terem sido conhecidos os resultados das regionais, que ditaram a perda de maioria absoluta do PS.

À porta da sede do PSD/Açores, juntaram-se dezenas de apoiantes social-democratas, que agitaram bandeiras do partido e da região e entoaram o nome do líder.

Questionado sobre uma possível coligação à direita para poder governar (que teria de incluir CDS, Chega, Iniciativa Liberal e PPM), José Manuel Bolieiro frisou que não se comove por “atitudes extremistas”.

Devo afirmar hoje, como sempre, que atitudes extremistas e populistas não me comovem, nem creio que interessam aos açorianos, mas também acho que os açorianos já deram provas, e os seus representantes, de que não são extremistas nem populistas”, afirmou.

O líder do PSD/Açores salientou que a nova composição parlamentar é “tão polivalente que pode admitir tudo” e frisou que é o “parlamento que determina a formação do governo”.

Reafirmo a minha total disponibilidade para assumir responsabilidades, mas nunca através de uma declaração unilateral, sempre com humildade, e disponível para o diálogo e para a concertação que interprete bem a vontade do povo”, apontou.

Bolieiro disse que, face aos resultados eleitorais, a democracia açoriana “vive hoje uma noite histórica na autonomia”.

Costa remete para socialistas açorianos “construção de soluções” de governo

O secretário-geral do PS saudou a "sétima vitória consecutiva" alcançada pelo seu partido nas eleições regionais dos Açores e invocou a autonomia regional para remeter para os socialistas açorianos a "construção das soluções" de governo.

Estas posições foram transmitidas por António Costa, em conferência de imprensa, na sede nacional do PS, em Lisboa, depois de os socialistas açorianos terem conquistado 25 dos 57 mandatos em disputa nas eleições para a Assembleia Legislativa Regional dos Açores, perdendo a maioria absoluta.

Perante os jornalistas, António Costa citou uma afirmação momentos antes proferida pelo presidente do PSD, Rui Rio: "Matematicamente o PS ganhou".

Interrogado sobre o facto de existir uma maioria à direita do PS na nova Assembleia Legislativa Regional dos Açores, António Costa referiu que os socialistas dos Açores "gozam de total autonomia".

Não cabe ao secretário-geral do PS pronunciar-se sobre a forma que o PS/Açores encontrará para, a partir da vitória que os açorianos lhe deram, construir as soluções governativas. Tenho a certeza de que Vasco Cordeiro saberá encontrar as melhores vias para responder à situação e cumprir o mandato que lhe foi conferido pelos açorianos", declarou.

Neste ponto, além das regras estatutárias do PS sobre a autonomia dos socialistas açorianos, António Costa invocou a própria Constituição da República em matéria de autonomia regional.

A autonomia regional significa atribuir às instituições de cada uma das regiões autónomas as competências para a sua autogovernação. Portanto, de forma alguma, não vou interferir. Tenho total confiança na capacidade das instituições regionais no sentido de encontrarem as boas soluções de governabilidade", disse.

Na conferência de imprensa, o secretário-geral do PS e primeiro-ministro também afirmou "ter a maior confiança nas instituições autonómicas".

Tenho a certeza de que no novo quadro parlamentar os Açores vão encontrar a melhor forma de governar. E seja ela qual for cá estamos nós para trabalhar com o próximo Governo Regional dos Açores. É essencial que haja uma excelente colaboração entre todos para o desenvolvimento do país e da Região Autónoma dos Açores", frisou.

Na sua intervenção inicial, António Costa referiu-se aos projetos que estão em curso nos Açores, sobretudo em torno da investigação do mar e do espaço, defendeu que no Plano de Recuperação e Resiliência e no Quadro Financeiro Regional 2021/2027 esta região autónoma está no centro de vários projetos de investimento, e falou sobre o futuro político "e a centralidade" do presidente do Governo Regional, Vasco Cordeiro, no âmbito das instituições europeias.

Vasco Cordeiro é hoje vice-presidente do Comité das Regiões. E, seguramente, dentro de ano e meio, será o primeiro português a presidir ao Comité das Regiões da União Europeia", declarou, deixando assim uma nota sobre a expectativa que tem de que o atual presidente do Governo Regional dos Açores continue em funções.

O presidente do PS/Açores, Vasco Cordeiro, definiu como "clara e inequívoca" a vitória do partido nas regionais de domingo, mesmo reconhecendo um novo "quadro parlamentar desafiante" que resulta da perda da maioria absoluta socialista.

As eleições terminaram. O PS venceu estas eleições e, nos próximos tempos, começa esse trabalho de também ser esse garante de estabilidade, de segurança, para que os Açores e açorianos possam sair desta situação complexa em que vivemos derivada da situação da pandemia de covid-19", disse.

O candidato a chefe do Governo dos Açores, e que ocupa o cargo desde 2012, falava no Teatro Micaelense, em Ponta Delgada, onde acompanha a noite eleitoral açoriana.

Notícias da morte do CDS-PP foram “manifestamente exageradas”

O presidente do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, defendeu que os resultados das eleições regionais dos Açores mostram que as notícias sobre a morte do partido foram “manifestamente exageradas” e representaram uma vitória da “direita moderada”.

Numa reação aos resultados do partido nos Açores - onde conseguiu três deputados em listas próprias (menos um do que há quatro anos) e outro em coligação com o PPM) - o líder do CDS salientou que o partido se manteve como a terceira força política nos Açores.

Estão bem recordados que disse no Congresso de janeiro que à direita lidera o CDS e, no primeiro teste eleitoral, que muitos quiseram dizer que era o teste desta direção, o CDS provou que à direita lidera o CDS-PP”, afirmou, na sede nacional do partido, onde foi recebido em clima de festa, com muitas palmas.

“Mais uma vez, as notícias sobre a morte do CDS-PP foram manifestamente exageradas e desmentidas em urnas”, acrescentou.

Rodrigues dos Santos criticou aquilo a que chamou de “fabricantes de sondagens”, referindo que os estudos de opinião chegaram a indicar 1% para o CDS-PP, e o partido acabou por ter “cinco vezes mais”.

Numa clara referência ao Chega, embora sem nunca dizer o nome do partido liderado por André Ventura (que elegeu pela primeira vez dois deputados nos Açores), o líder do CDS-PP considerou que os resultados regionais demonstram que “os portugueses preferem uma direita responsável, serena e moderada” em vez de “experimentalismos ou radicalismos”.

Nós somos a terceira força política, a maior força política da direita num contexto particularmente difícil”, considerou.

O líder do CDS-PP fez também uma leitura nacional dos resultados, salientando que o partido cresceu “em votos e em percentagem desde as últimas legislativas”, quer no total nacional, quer contabilizando apenas o círculo dos Açores.

O CDS teve mais votos do que PCP e BE juntos”, congratulou-se, numa declaração em que esteve ladeado e foi sendo aplaudido por vários dos atuais dirigentes do partido.

Francisco Rodrigues dos Santos saudou o líder do CDS-PP/Açores, Artur Lima, pela “magnífica afirmação do partido em circunstâncias muito exigentes”.

Teve a capacidade de dizer ao país que o CDS está a resistir, está a crescer e o partido pode ter esperança”, reforçou.

PPM destaca "facto extraordinário" de alcançar grupo partidário

O líder do PPM nos Açores, Paulo Estêvão, destacou ser "um facto extraordinário" a eleição de um grupo parlamentar, frisando que o partido vai ter "um papel importante" no próximo parlamento regional.

Nós termos um grupo parlamentar é um facto extraordinário. Elegemos no Corvo e nas Flores. Vamos ter um papel importante no próximo parlamento dos Açores e, fundamentalmente, estamos muito empenhados em melhorar a vida dos açorianos. E, portanto, é isso o nosso compromisso, somos um partido que trabalha intensamente na defesa das populações e é isso que vamos fazer", disse Paulo Estêvão em declarações telefónicas à agência Lusa, a partir da ilha do Corvo.

Paulo Estêvão, um dos dois deputados eleitos pelos monárquicos, frisou que o PPM foi "um dos partidos que lutou mais para o fim da maioria absoluta do Partido Socialista", sustentando que sem maioria absoluta, "a partir daí, o parlamento será muito valorizado".

E é um parlamento onde vamos estar com um grupo parlamentar, o que nos dá poderes alargados, portanto será extraordinário", acrescentou.

Ventura: Açorianos estão a libertar-se do socialismo

O líder nacional do Chega, André Ventura, afirmou que os Açores estão a libertar-se do socialismo, após o PS perder a maioria absoluta nas legislativas regionais, reafirmando que a estreia do partido provocou um “terramoto”.

O povo açoriano está a libertar-se do socialismo, que é crónico, difícil e corrupto muitas vezes na região, como no continente. Hoje damos uma grande passo na luta contra a corrupção. E não tenho dúvidas de que o Chega é o grande responsável”, afirmou André Ventura, em declarações aos jornalistas num hotel de Ponta Delgada, onde está a acompanhar a noite eleitoral.

Questionado se o partido tinha provocado um terramoto político esta noite, tal como tinha afirmado durante a campanha eleitoral, na qual estabeleceu como meta a eleição de três deputados, Ventura respondeu: “Já há terramoto. O PS perdeu a maioria absoluta”.

André Ventura não respondeu a mais perguntas dos jornalistas, remetendo para mais tarde um discurso.

Bloco diz que quem deve governar é o PS como partido mais votado

O líder do Bloco de Esquerda/Açores, António Lima, que mantém os seus dois deputados no parlamento, defendeu que nos Açores deve governar o PS, porque “tem mais votos”, e não uma eventual geringonça à direita.

Forma governo, à partida, quem tem mais votos e quem ganhou foi o Partido Socialista. O BE/Açores não apresentará nenhuma moção de rejeição ao programa do governo do PS nem apoiará qualquer moção da direita ao governo do PS”, declarou o dirigente do BE/Açores na reação aos resultados eleitorais das legislativas regionais de domingo, num hotel de Ponta Delgada.

António Lima afirmou que a sua força política conseguiu o seu “melhor resultado de sempre”, referindo que obteve mais 500 votos do que em 2016, o que “garante a manutenção do grupo parlamentar, reforçando a sua capacidade de trabalho”, não "contribuindo para o crescimento da extrema-direita”.

O coordenador do BE/Açores, que foi eleito pelo círculo eleitoral de São Miguel, referiu que no parlamento “trabalhará orçamento a orçamento, proposta a proposta, cumprindo aquilo que é o seu programa eleitoral".

Para o dirigente do Bloco, o PS “tem é que refletir perante este resultado se quer continuar o caminho que estava a fazer ou se quer fazer uma mudança que permita melhorar a vida dos açorianos”.

O Bloco de Esquerda (BE) saudou no domingo o “resultado extraordinário” do partido nas eleições regionais nos Açores, ganhas pelo PS, e disse estar disposto para acordos pontuais e ajudar a “construir pontes” para uma maioria no parlamento.

Em declarações aos jornalistas, na sede nacional do BE, em Lisboa, Pedro Filipe Soares, líder parlamentar e membro da direção do partido, afirmou que os bloquistas não vão apresentar uma moção de rejeição de um programa do Governo do PS, que perdeu a maioria absoluta no domingo, nem votarão ao lado da direita para chumbar uma moção desse tipo.  

Sabemos que aos nossos votos têm de ser somados mais votos para garantir que esse caminho é feito, mas não nos compete a nós a construção desse caminho, compete ao PS como partido mais votado construir a pontes para esse caminho”, afirmou, numa referência implícita a acordos pontuais com os socialistas, “medida a medida, proposta a proposta, orçamento a orçamento”.

O dirigente bloquista defendeu que é preciso o PS “tirar as consequências devidas” dos resultados, ou seja, do “descontentamento”, que “decorreu das condições económicas e sociais dos açorianos e açorianas”.

“Aprendendo com isso, o BE, medida a medida, proposta a proposta, orçamento a orçamento, iremos analisar”, afirmou, sublinhando que “tem de ser sempre com uma geometria parlamentar que alcance uma maioria”.

Não está só nas nossas mãos”, concluiu.  

PAN não alinhará em "visões extremadas"

O deputado eleito pelo partido Pessoas-Animais-Natureza (PAN), Pedro Neves, considerou que o resultado obtido nas eleições legislativas regionais dos Açores é a consolidação do trabalho nos últimos quatro anos, avisando que não alinhará em "visões extremadas".

Finalmente estamos no parlamento açoriano. Ao fim de quatro anos de muito trabalho conseguirmos eleger representação parlamentar, graças à coragem e aos votos das cidadãs e cidadãos açorianos, que se concretizou na eleição de um deputado”, disse Pedro Neves, em conferência de imprensa depois de conhecidos os resultados da noite eleitoral.

Pedro Neves, de 41 anos, assessor político e porta-voz do partidos nos Açores, apresentou-se às eleições regionais como cabeça de lista do partido pela ilha de São Miguel e candidato pelo círculo de compensação, pelo qual foi eleito.

De acordo com o deputado, o PAN celebra hoje “a consolidação do partido na região”, salientando que ficou agora demonstrado com o resultado, o contrário do que “auguravam todos aqueles que diziam que o PAN não passava de um partido de nichos de modas, sem visão política ou sem crédito junto da população”.

Pedro Neves avisou ainda que o partido “não alinhara em visões extremadas ou afastadas da promoção de igualdade e dos direitos sociais e humanos”, salientando que a visão do partido é de “que um estado de direito democrático não é compatível com políticas nacionalistas xenófobas, racistas, sexistas, capacitistas, homofóbicas ou transfóbicas que impeçam a liberdade de expressão ou religiosa”.

O deputado do PAN assinalou também a “redução da abstenção, apesar dos valores elevados”, considerando que partidos como o PAN, “com mensagem políticas fora da bolha bafienta e obsoleta, contribuíram para que mais pessoas, sem dúvida, acreditassem que mesmo em contexto da pandemia é possível mudar um sistema”.

Mesmo sem representação parlamentar, a nossa presença foi sentida na apresentação de soluções. Cá estaremos para ser a nova voz dos açorianos”, prometeu, frisando que o partido é “um projeto que veio para ficar e para mudar a política bafienta a obsoleta do parlamento regional”.

Pedro Neves enalteceu ainda a coragem dos açorianos, considerando que estes estão “a perder o medo de abraçar projetos políticos democráticos diferentes com uma visão de longo prazo e transversal inclusiva”.

O PS finalmente perdeu a minoria”, afirmou.

Iniciativa Liberal fala em “bom prenúncio” para futuro

O líder da Iniciativa Liberal (IL), João Cotrim de Figueiredo, considerou a eleição pela primeira vez de um deputado do partido para o parlamento dos Açores um “bom prenúncio” para atos eleitorais futuros. 

Este resultado é histórico porque pela primeira vez temos um deputado regional liberal na Assembleia Legislativa dos Açores e isso é algo que deve ser registado”, considerou, em declarações à agência Lusa. 

Considerando que “os Açores estão de parabéns por terem eleito um deputado liberal”, Cotrim de Figueiredo apontou este resultado como “um bom prenúncio” para eleições futuras. 

Vamos assistir a crescimentos destes mais vezes nos próximos atos eleitorais porque de facto a mensagem que nós temos vindo a transmitir, no continente e agora nos Açores e em todos os atos eleitorais em que participemos, vai mostrar às pessoas que há uma alternativa a esta maneira de olhar para as coisas e para este socialismo que nos tem regido nos últimos 24 anos”, sustentou.

Questionado sobre a perda de maioria absoluta do Partido Socialista na assembleia regional, o líder da IL disse acreditar que o seu partido contribuiu para esse resultado.

Acho que contribuímos para essa perda de maioria absoluta do PS, tornámos claro porque é que a situação dos Açores é ainda pior do que no continente em muitas matérias e que isso tem a ver com a hegemonia que nos Açores é ainda maior do que tem sido no continente, já há 24 anos”, rematou, referindo-se ás mais de duas décadas de governos regionais liderados pelo PS. 

CDU reconhece resultado “particularmente negativo” 

O coordenador do PCP nos Açores reconheceu que a CDU teve “um resultado particularmente negativo" nas eleições regionais deste domingo, em que perdeu o único deputado que tinha no parlamento da região.

Os resultados da CDU, traduzidos na perda de representação na ALRAA [Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores], apesar de avanços significativos no círculo do Faial, constituem o fator mais negativo destas eleições”, afirmou Marco Varela, acrescentando que a não eleição “constituiu um resultado particularmente negativo na vida política regional e um significativo empobrecimento democrático”.

O coordenador regional comunista lembrou a “fragilização da intervenção em defesa dos trabalhadores e do povo açoriano” que se verificou no mandato de 2004 a 2008, quando a CDU também não elegeu.

Sobre a sua continuidade na liderança da estrutura regional do Partido Comunista, Marco Varela apenas afirmou que o partido irá reunir “nas próximas semanas” e que essas questões serão “discutidas internamente, coletivamente”.

Para o candidato pelos círculos eleitorais do Corvo e de compensação, “estas eleições ficam marcadas pelo surgimento de forças sem percurso ou contribuição real na vida política e social da região, que, sem propostas ou projeto concreto para a região, encontraram na demagogia e na exploração de um ambiente de descrença generalizada com a falta de resposta aos seus problemas, espaço para recolha de votos que se revelaram inconsequentes”.

Marco Varela também destacou a “obtenção de uma maioria do PS, um resultado que não é separável da intensa campanha de condicionamento eleitoral e que beneficiou ainda da instrumentalização, por parte do Governo Regional, da situação criada com a epidemia de covid-19, utilizando aquilo que são responsabilidades e deveres de intervenção, de prevenção sanitária, em argumento e propaganda eleitoral”.

O secretário-geral do PCP lamentou o resultado “particularmente negativo” do partido na Assembleia Legislativa Regional dos Açores, onde ficou sem representação, apontando que a perda de maioria absoluta do PS traduz “descontentamento crescente”.

Numa declaração em formato vídeo enviada à imprensa, o secretário-geral dos comunistas, Jerónimo de Sousa, considerou que o resultado da CDU nas eleições regionais dos Açores “não traduz quer a influência social e política da CDU, quer o reconhecimento da sua intervenção na vida política açoriana”.

A perda de representação parlamentar pela CDU constitui um resultado particularmente negativo na vida política regional, um significativo empobrecimento democrático e sobretudo uma fragilização da intervenção em defesa dos interesses dos trabalhadores e do povo açoriano, como aliás já foi comprovado entre 2004 e 2008, período em que a CDU não teve representação parlamentar”, apontou o líder comunista.

Para o PCP, os resultados das eleições regionais de domingo “ficam marcados pela perda da maioria absoluta do PS”.

A perda da maioria absoluta é em si um sinal que, sem poder ser absolutizado, traduz o descontentamento crescente face a uma governação que tem avolumado problemas, agravado os problema sociais, o desemprego e a pobreza, condicionado o desenvolvimento da região”, sustentou.

Jerónimo de Sousa considerou ainda que este ato eleitoral fica igualmente marcado “pelo surgimento de forças sem percurso ou contribuição real na vida política e social regional, que sem proposta ou projeto para a Região encontraram campo na demagogia e na exploração de um ambiente de descrença generalizada com a falta de resposta aos seus problemas para recolha de votos que se revelarão inconsequentes”.

Para o secretário-geral comunista terão pesado na não eleição de deputados pela CDU “a dispersão de candidaturas, a expressão da continuada ofensiva anticomunista que não deixou de se refletir na região” e ainda “as acrescidas dificuldades que a epidemia colocou na construção da campanha da CDU que tem na participação e no contacto direto elementos centrais no esclarecimento e na mobilização para o voto”.

Saudando os eleitores que votaram na CDU, os militantes do partido e os membros do PEV, Jerónimo garantiu que o PCP continuará, “ainda que sem representação parlamentar”, a estar presente na região.

De acordo com os resultados provisórios divulgados pela Direção Regional de Organização e Administração Pública (DROAP), o PS ganhou as legislativas regionais de hoje, mas perdeu a maioria absoluta no parlamento da região, ao alcançar 39,13% (40.701 votos) e 25 deputados.

O PSD, com 33,74% (35.091 votos), garantiu 21 mandatos, seguido pelo CDS-PP com 5,51% (5.734 votos), que elegeu três deputados, além de um parlamentar em coligação com PPM (com 115) votos.

O Chega, que concorreu pela primeira vez às regionais dos Açores, teve 5,06% (5.260 votos), elegeu dois deputados, tal como o BE, que alcançou 3,81% (3.962 votos).

O PPM obteve 2,34% (2.431 votos) e elegeu um deputado, além de um outro eleito em coligação com o CDS-PP.

A Iniciativa Liberal, que também concorreu pela primeira vez à Assembleia Legislativa dos Açores, conseguiu 1,93% (2.012 votos) e elegeu um deputado, assim como o PAN que teve percentagem idêntica e apenas menos oito votos.

A coligação PCP/PEV, que tinha eleito um deputado há quatro anos não conquistou nenhum mandato, tendo obtido 1,68% (1.745 votos).

As legislativas dos Açores decorreram com 13 forças políticas candidatas aos 57 lugares da Assembleia Legislativa Regional: PS, PSD, CDS-PP, BE, CDU, PPM, Iniciativa Liberal, Livre, PAN, Chega, Aliança, MPT e PCTP/MRPP. Estavam inscritos para votar 228.999 eleitores.

No total, são 10 os círculos eleitorais - um por cada ilha açoriana mais o círculo de compensação.

/ AG