A direção nacional do Chega, proposta pelo líder, André Ventura, foi eleita com 312 votos, 79%, no III congresso nacional, que hoje termina em Coimbra.

Ventura tinha pedido uma "maioria reforçada", acima dos 50% dos votos, quer para a sua lista quer para a moção global de estratégia, que se se considera ser votada juntamente com a direção nacional.

Para a direção nacional, votaram 377 delegados, tendo-se registado 312 votos a favor, 29 abstenções e 36 nulos.

Os resultados foram anunciados pela mesa do congresso cerca das 16:00, pouco antes de começar a sessão de encerramento, já com uma hora de atraso, e em que vão discursar o líder da Liga, Matteo Salvini, da extrema-direita italiana, e André Ventura.

Depois, foram anunciados os resultados para o conselho nacional, a que concorreu apenas a lista de Ventura, que obteve 311 (83%) em 364 congressistas.

No conselho de jurisdição nacional, a que concorreram três listas e votaram 364 delegados, venceu a lista B, de Rodrigo Taxa, com 201 votos (54%), seguido pela lista C, de José Dias, com 94 votos (25%) e pela lista A, de Carlos Monteiro, com 64 votos (17,2%).

Um empate a 180 votos entre as listas A e B para a mesa do congresso nacional vai obrigar à repetição da eleição para este órgão no congresso do partido, confirmando a notícia já avançada pelo diário ‘online’ Observador.

Foram ainda empossados a comissão política nacional, órgão de consulta do presidente e por ele nomeado, liderado por Diogo Pacheco de Amorim, e também a comissão de ética, presidida por Rui Paulo Sousa.

Trabalhos interrompidos para repetir eleição da mesa do congresso

Os trabalhos do III congresso do Chega vão ser interrompidos por uma hora para se repetirem as eleições para a mesa do congresso, onde se registou um empate a 180 votos das duas listas concorrentes.

A reunião foi suspensa cerca das 17:00, depois da intervenção do líder da Liga, Matteo Salvini, da extrema-direita de Itália, principal convidado internacional do congresso, que hoje termina em Coimbra.

Só depois de eleita a mesa do congresso o presidente do partido, André Ventura, fará o discurso de encerramento.

Salvini sonha agregar na Europa populares, conservadores e identitários

O meu sonho é juntar o melhor destas três famílias para contrastar com os socialistas e comunistas e contra os que são contra a Europa dos povos e da liberdade", disse o convidado do Chega, partido que integra o grupo europeu Identidade e Democracia (ID).

Numa intervenção fortemente aplaudida, Salvini deu as boas-vindas ao Chega na entrada naquela "grande família europeia", cujo seu objetivo é "alargá-la", e elogiou o "excelente" resultado de André Ventura nas eleições presidenciais de janeiro deste ano, nas quais obteve cerca de meio milhão de votos.

O político italiano, que é contra a imigração, disse que partilha com o líder do Chega as mesmas ideias sobre o trabalho, a segurança, família e liberdade, "numa Europa livre".

Matteo Salvini disse ainda que vai ser julgado com muita honra pela falta de auxílio à imigração ilegal para "defender a Itália e a Europa".

Dirigindo-se diretamente aos militantes do Chega, alertou que os adversários políticos não estão dentro do partido, "mas lá fora", e desejou que o partido de André Ventura chegue ao Governo português.

Na sua intervenção, anunciou que vai na segunda-feira visitar o santuário de Fátima, enquanto símbolo, "porque a Europa é cristã, Portugal é cristão".

Matteo Salvini ocupou, de 2018 a 2019, os cargos de vice-primeiro-ministro de Itália e ministro do Interior.

Luís Graça reeleito presidente da mesa do congresso

Luís Graça foi reeleito presidente da Mesa do Congresso do Chega, no III Congresso, que hoje termina em Coimbra, superando na votação a lista opositora de Rogério Matias.

Encabeçando a lista A, Luís Graça obteve 162 votos, contra os 150 de Rogério Matias, candidato da lista B.

Depois do empate verificado na eleição realizada na parte da manhã, com 180 votos para cada candidatura, a votação teve de ser repetida na parte da tarde, cerca das 17:00 depois da intervenção do líder da Liga, Matteo Salvini, da extrema-direita de Itália, principal convidado internacional do congresso.

Só após o anúncio dos resultados, divulgados cerca das 19:15, é que o presidente do partido, André Ventura, fará o discurso de encerramento, atrasando o final dos trabalhados mais do que três horas.

Antes da repetição da votação, o candidato Manuel Matias subiu à tribuna para defender que a eleição se fizesse noutro dia, dado que havia congressistas a abandonar o congresso, mas Luís Graça, presidente e de novo candidato, disse que se mantinha "o entendimento" de voltar a votar.

"Já que estamos aqui, vamos resolver isto hoje", disse Graça, que também pediu "paciência" e "coragem, muita coragem" aos delegados que faziam fila para votar.

. / ATUALIZADA ÀS 17:15