Está terminado o apuramento dos votos das Comunidades Portuguesas. Onze dias após as eleições, foram apurados os votos dos círculos da emigração e, no Círculo da Europa, o PS ganhou as eleições, enquanto que, no Círculo de Fora da Europa, venceu o PSD.

De acordo com os dados conhecidos pelas 08:50, pelo círculo da Europa o PS elegeu Paulo Pisco e o PSD Carlos Gonçalves, e pelo circulo fora da Europa foram eleitos José Cesário (PSD) e Augusto Santos Silva (PS).

O PS venceu as eleições legislativas com 36,34% dos votos e 108 deputados eleitos, quando estão atribuídos todos os mandatos, incluindo os quatro dos circulos eleitorais da Europa e de Fora da Europa.

De acordo com os resultados finais, já com os dados das votações nos 27 consulados, o PSD foi o segundo partido mais votado, com 27,76% dos votos e 79 deputados.

O PS venceu sem maioria absoluta, para a qual precisaria de, pelo menos, 116 deputados.

Em relação aos resultados que esta madrugada foram escrutinados, no Círculo eleitoral da Europa, os dois mandatos foram para PS e PSD e no círculo fora da Europa a distribuição foram também para o PS e o PSD.

A taxa de abstenção foi de 51,43%

PAN foi a terceira força política 

O PAN foi a força política mais votada a seguir ao PS e ao PSD nos círculos da emigração, com 4,8% dos votos, segundo os resultados eleitorais da Europa e Fora da Europa divulgados hoje.

Dos 388 votos obtidos nas legislativas de 2015, 1,3%, o PAN passou para 7.653 votos, correspondendo a 4,8%, sendo o terceiro partido mais votado, atrás do PS, que obteve 26,2% (41.525 votos) e do PSD, com 23,4% (37.060 votos).

Atrás do PAN, o BE obteve 4,75%, ou seja, 7.510 votos, menos 143 do que o PAN. O CDS-PP foi a quinta força política, com 3,3% (5.320 votos) e a coligação PCP/PEV a sexta, com 2% (3.232 votos).

Todos os partidos concorrentes viram aumentada a sua votação face a 2015. O universo de inscritos aumentou e votaram mais quase 130 mil cidadãos nos dois círculos da emigração.

PS elege deputado Fora da Europa 20 anos depois

O PS conseguiu eleger um deputado pelo círculo eleitoral Fora da Europa 20 anos depois de o ter feito, desta vez o atual ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

A última vez que os socialistas tinham conseguido eleger um deputado pelo círculo Fora da Europa foi nas legislativas de 1999, quando António Guterres era líder do PS e primeiro-ministro e conseguiu exatamente metade dos mandatos na Assembleia da República.

O PS conseguiu então vencer a eleição nos círculos da emigração, elegendo os dois deputados pelo círculo da Europa e um pelo de Fora da Europa, que se somaram aos 112 eleitos no continente e regiões autónomas.

Com metade dos deputados, os socialistas foram então obrigados a negociar a aprovação dos orçamentos, a última das vezes com a colaboração do deputado dissidente do CDS Daniel Campelo, ex-presidente da Câmara de Ponte de Lima, no que viria a ser conhecido como o orçamento limiano.

Desde então o PS tem vindo a conseguir equilibrar a eleição no círculo da Europa, dividindo os dois deputados com o PSD, mas perdendo os outros dois mandatos para o PSD por Fora da Europa.

O primeiro-ministro indigitado, António Costa, considerou "notável" o aumento da participação registado nos dois círculos da emigração nas eleições legislativas e defendeu a necessidade de se "continuar a reforçar" os laços com a diáspora portuguesa.

Votaram quase mais 130 mil pessoas, mas abstenção aumentou 

O número de votantes nas legislativas nos círculos da emigração aumentou em quase 130 mil, em virtude do recenseamento automático dos não residentes, mas a taxa de abstenção foi mais alta do que em 2015.

Apesar de o número de votantes no estrangeiro ter passado de 28.354, em 2015, para 158.252, nas eleições de 06 de outubro passado (+129.898), a taxa de abstenção subiu ligeiramente, situando-se em 89,2% face aos 88,3% do sufrágio anterior.

Com a estreia do recenseamento automático de todos os portugueses portadores de Cartão de Cidadão, o número de inscritos para votar no estrangeiro passou de 242.852 para 1.466.754, aumentando assim exponencialmente os não residentes com capacidade de voto.

Em 2015 houve 28.354 para 242.852 inscritos, situando-se a taxa de participação em 11,68%. Já em 06 de outubro passado, votaram 158.252 para 1.466.754 inscritos, o que dá uma participação de 10,79%. Com o fecho dos resultados no estrangeiro, a taxa de abstenção global nas legislativas fixou-se em 51,43%.

Os votos brancos e nulos aumentaram também exponencialmente. Os votos nulos no estrangeiro ascenderam a 35.331, ou seja, 22,3%, o resultado percentual mais elevado à seguir aos 'scores' do PS e PSD. Em 2015, tinham sido de 3.071 votos (10,83%).

Já os brancos ascenderam a 2.094 votos (1,32%), quando em 2015 tinham sido apenas 185 (0,65%).

 

Costa destaca “vitória expressiva” do PS na Europa

O secretário-geral do PS considerou esta quinta-feira que o seu partido alcançou "uma vitória expressiva" no círculo da Europa e destacou a eleição de Santos Silva no círculo Fora da Europa, onde os socialistas não elegiam deputados desde 1999.

Nas eleições legislativas do passado dia 06, no conjunto dos dois círculos eleitorais da emigração (Europa e Fora da Europa), o PS venceu com 41.525 votos contra 37.060 do PSD. Em termos de mandatos, o PS elegeu dois deputados, tantos como o PSD.

O PS tem uma vitória expressiva no círculo da Europa e reelege Paulo Pisco [como deputado]. Fomos o único partido a eleger deputados em todos os círculos eleitorais", escreveu António Costa na rede social Twitter.

 

 

Na mesma mensagem, o líder socialista defendeu que "a grande vitória de 06 de outubro é reforçada com a eleição do [ministro dos Negócios Estrangeiros] Augusto Santos Silva pelo círculo de Fora da Europa, o que não acontecia há 20 anos".

Para António Costa, a eleição de um deputado no círculo Fora da Europa, constitui também "um sinal de um grande reconhecimento pelo trabalho do José Luís Carneiro enquanto Secretário de Estado das Comunidades Portuguesas".

Na terça-feira, a agência Lusa adiantou que António Costa indicou José Luís Carneiro para o cargo de secretário-geral adjunto do PS, substituindo nestas funções Ana Catarina Mendes que, por sua vez, foi proposta para o lugar de líder da bancada socialista.