O Partido Comunista votou sistematicamente contra o estado de emergência, à exceção do primeiro. Questionado por Miguel Sousa Tavares sobre qual poderia ser a alternativa, Jerónimo de Sousa disse "a alternativa não deveria ser um confinamento agressivo"

Para o secretário-geral do PCP, o estado de calamidade seria suficiente para controlar a medidas e o Governo deveria ter criado medidas de proteção concretas para os concelhos com situações mais dramáticas e não aplicar um confinamento igual em todo o país. 

Numa entrevista no Jornal das 8, da TVI, reconheceu, no entanto, que o estado de emergência "funcionou", mas que isso não significa que não existam outras medidas mais 'suaves' que pudessem alcançar os mesmos resultados. 

Mesmo admitindo que funcionasse, não quer dizer que outras medidas de fundo, designadamente em relação à situação sanitária que o nosso país vivia, em que hoje se prova que era necessário medidas como o reforço do Serviço Nacional de Saúde, reconhecimento de profissionais pelo seu trabalho, rastreio, testagem e vacinação". 

Para terminar o tema sobre a forma como a pandemia tem sido gerida no país, Jerónimo de Sousa deixou uma pergunta: "Substimar o efeito desse confinamento agressivo no plano pessoal, no plano familiar, das pessoas não saberem o que hão-de fazer à vida... Como é que se admite que cheguemos a um ponto em que se tem mais medo de viver do que medo de morrer?"

"Não seremos, nem fomos, ponte de apoio do Governo do PS"

Miguel Sousa Tavares interrogou Jerónimo de Sousa se o apoio ao Governo de António Costa não tem tido um custo caro para o partido comunista quer nas urnas, quer junto das organizações sindicais. A resposta foi curta e esclarecedora: "Não seremos, nem fomos, ponte de apoio do governo do PS"

O secretário-geral do PCP garantiu que o partido mantém o "sentimento fortíssimo que 2014/2015", ou seja  o de lutar "para travar aquilo que consideramos ser os efeitos devastadores de uma politica de direita". Numa clara referência ao mandato de Pedro Passos Coelhos, que ficou marcado por cortes salariais, desemprego e precariedade. 

Temos um projeto alternativo, uma política patriótica e de esquerda", assegurou. 

Jerónimo de Sousa é secretário-geral há 17 anos e o PCP completa um século no próximo sábado, dia 5 de março. Com o lema "o futuro tem partido", Jerónimo acredita que o PCP é um partido "para continuar, com projeto"

Cláudia Évora