Luís Montenegro numa entrevista conduzida por José Alberto Carvalho, no Jornal das 8 da TVI, disse que as principais divergências que tem com Rui Rio residem no posicionamento político face ao Partido Socialista (PS). O social-democrata acusou também o seu adversário de subjugar o PSD à vontade de António Costa e de dividir o partido.

O PSD não tem sabido mostrar-se alternativo a um Estado e a um Governo que estão acomodados. O Partido Socialista com o apoio do Partido Comunista e do Bloco de Esquerda estão hoje acomodados à situação que vivemos em Portugal", afirmou Luís Montenegro. 

O social-democrata referiu que não era possível oferecer essa alternativa ao país "se estivermos sempre à espera do Partido Socialista". Admitiu que se assumir a lideração do PSD, o partido terá muitas dificuldades em negociar com os socialistas, não por "falta de vontade", mas porque há uma parte do PS que não admite essa possibilidade. 

Estamos quase que capturados por aquilo que é a vontade maior ou menor do PS se entender connosco", acrescentou.

Montenegro fez questão de vincar as divergências que tem com Rui Rio no que toca ao caminho que o PSD tem de trilhar, nomeadamente, em termos de posicionamento, ambição e atitude política.

A confusão que reina nos portugueses é esta: Quais são as diferenças entre o PS e o PSD? Porque é que o PSD está sempre tão à espera do PS? Porque é que o PSD não tem ambição de voltar a ser maioritário?"

Na ótica do candidato à liderança do PSD, o partido não pode estar constantemente dependente da vontade do PS em querer negociar mais à direita.

Eu entendo que, tendo o PS escolhido voluntariamente como seus parceiros o Bloco de Esquerda e o Partido Comunista, e foi uma opção legítima, nós temos a obrigação, à luz do interesse nacional, de termos uma verdadeira alternativa em Portugal. E essa alternativa faz-se com um progama, mas também se faz com posição e clareza face ao eleitorado. E essa clareza não tem existido".

 

Fez duras críticas a Rui Rio, acusando-o de estar permanentemente a dividir o partido, de atacar os seus companheiros e de se colocar à mercê de António Costa.

Esclareceu ainda que não foi o PSD que se mexeu no "xadrez político português", ou seja, manteve-se sempre ao centro, e que o PS é que se "acantonou" à esquerda radical.

De recordar que Luís Montenegro e Rui Rio disputam a 2.ª volta das eleições diretas para escolher o presidente do PSD no próximo sábado. Na 1.ª volta Rio foi o candidato mais votado com 49,02% dos votos e Montenegro com 41,42%. Independente do vencedor, tudo aponta para uma vitória por uma margem muito curta.  

Cláudia Évora