O conselheiro de Estado e ex-presidente do PSD Marques Mendes defendeu, em declarações à agência Lusa, que o Governo deverá avançar nos próximos meses com mais reformas na máquina do Estado, tendo como prioridade a diminuição da despesa.

Marques Mendes referiu que o Governo está a ter uma atuação reformista «na linha do prometeu», lembrando os casos da legislação laboral, dos licenciamentos industriais ou das reformas na justiça, mas defendeu que é preciso mais.

«No domínio da máquina do Estado, o Governo deve andar mais e mais depressa. Deve fazer mais roturas, de extinção de serviços, de extinção de empresas públicas, de concessão da gestão de empresas à iniciativa privada. Espero que ande mais rápido e sobretudo com maior profundidade, não apenas porque o prometeu, mas sobretudo porque essas reformas são essenciais para diminuir o peso do Estado», disse em declarações à Lusa.

Marques Mendes esteve na noite de quarta-feira na Sociedade Filarmónica Operária Amorense, no Seixal, onde participou na iniciativa «Um Café com?», organizada pelo vereador social-democrata Paulo Edson, onde referiu que o corte na despesa do Estado é a grande prioridade.

«A grande prioridade que Portugal tem pela frente e que é a grande prioridade da ação governativa é diminuir a despesa do Estado, para diminuir o défice e criar condições para baixar os impostos. Não é possível baixar no futuro os impostos sem primeiro cortar forte na despesa do Estado», defendeu.

Ainda sobre os cortes necessários, Marques Mendes disse não entender como é que a gestão de empresas de transportes ainda não foi concessionada a privados depois de ano e meio de Governo.

«Muitos dos gestores públicos do PS e PSD numa empresa privada não tinham hipótese de ser assessores. Os do PSD dão cobertura aos do PS e os do PS ao PSD, é um bloco central de interesses», referiu.

Sobre funcionários públicos afetados pelo programa de rescisões de contratos, Marques Mendes considerou a decisão como «inevitável».

«É inevitável, pois não se pode emagrecer o Estado mantendo-o como está, por muito que custe aos próprios. Reformas que só tocam aos outros é impossível», defendeu.

Durante a sessão, Marques Mendes voltou a defender um recuo do Governo em relação ao IMI.

«Neste caso, um recuo do Governo é positivo. Não existir uma cláusula de salvaguarda é um ato de crueldade social e, neste caso, aplaudo o recuo», salientou.
Redação