O líder parlamentar do BE, Luís Fazenda, afirmou hoje que se Portugal não renegociar o pagamento da sua dívida está condenado «a ler nas costas da Grécia o seu futuro mais próximo».

«O país está suspenso, criou-se uma nova legislatura que é o dia 23 de setembro de 2013, a 23 de setembro de 2013 Portugal voltará aos mercados, é a isto que se resume neste momento o jogo político, mas esse é um jogo político viciado, porque o país não consegue pagar esta dívida, cedo ou tarde terá de a renegociar», defendeu o líder da bancada do BE.

As posições do dirigente e fundador do BE foram assumidas no encerramento das jornadas parlamentares do partido, no Porto, que foram dedicadas à «Pobreza e as respostas sociais».

Questionado pelos jornalistas se concorda com a visão do ex-primeiro-ministro grego, Georges Papandreou, que hoje disse à agência Lusa, em Atenas, que Portugal vai no mesmo caminho que a Grécia, Fazenda sustentou que só a renegociação da dívida poderá contrariar esse cenário.

Papandreou disse hoje à Lusa que Portugal vai seguir o mesmo caminho da Grécia se a Europa não fortalecer o mercado e proteger os países dos ataques especulativos da globalização.

«O BE tem vindo a salientar inúmeras vezes que é necessário renegociar a dívida, é necessário atender àquilo que são as possibilidades do país, é necessária uma quota de investimento público e capacidade para dinamizar a economia, porque senão não há nem consolidação das contas públicas, nem criação de emprego ou desenvolvimento do produto, o que é absolutamente essencial», frisou Luís Fazenda.

O presidente do grupo parlamentar do BE afirmou que «o aumento da fiscalidade agressiva não compensa a queda das receitas fiscais» e anteviu que no próximo ano «vamos verificar que ainda há uma queda mais abrupta».

«Aumenta a recessão mas também há uma queda das receitas fiscais e o país começa a entrar em incumprimento dos seus próprios serviços públicos e isso vai levar a que haja a constatação de que Portugal está a ler nas costas da Grécia o seu futuro mais próximo», continuou.

Fazenda acentuou que «sem investimento privado é necessário uma quota forte de investimento público» e que é necessário em Portugal uma «reforma fiscal que aproveite o dinheiro» de casos com o do BPN ou do «capital rentista».

«Se esse capital rentista fosse realmente obrigado à sua participação social, no país poder-se-iam criar outras condições», considerou.

«As medidas de austeridade estão programadas exatamente para afundarem a economia portuguesa, não se trata de uma negligência, trata-se de uma ortodoxia económica, de um planeamento de uma realidade que não vai acontecer, Portugal vai afundar-se e o que é necessário é uma viragem política», concluiu.