Otelo Saraiva de Carvalho acredita que Portugal precisa «de um homem com inteligência e a honestidade do ponto de vista do Salazar» para resolver a crise que atravessa.

«Precisávamos de um homem com inteligência e a honestidade do ponto de vista do Salazar, mas que não tivesse a perspectiva que impôs, de um fascismo à italiana (...) Alguém que fosse um bom gestor de finanças, que tivesse a perspectiva de, no campo social, beneficiar o povo, mesmo e sobretudo em detrimento das grandes fortunas», disse, em entrevista ao Jornal de Negócios.

O «capitão de Abril» elogia o que se fez a seguir à revolução «ao nível da educação, da saúde» e mesmo económico. «Houve um rápido crescimento do nível económico das populações a seguir ao 25 de Abril à custa das reservas de ouro que o forreta do Salazar tinha amealhado no Banco de Portugal, mas depois, esgotada essa possibilidade, a coisa começou a entrar em dificuldades», lamentou.

«Não tivemos uma gestão honesta, incorruptível, capaz de levar por diante este barco que é o nosso país (...) Salazar foi uma pena, porque era um crânio em economia e finanças, podia ter feito maravilhas pelo povo, mas era um tipo de miopia política», concluiu.