Mário Soares lança a sua autobiografia esta semana e, prestes a fazer 87 anos, continua muito activo politicamente. Preocupado com a crise na Europa, alerta os líderes para a necessidade de mudança.

Em entrevista ao jornal «i», o ex-Presidente da República fala na hipótese de revolução: «As revoluções às vezes são rupturas e resolvem os problemas».

«A Europa está numa crise profundíssima, está à beira do abismo», disse, fazendo um diagnóstico: «A União Europeia está desorientada. Dantes era constituída por duas grandes famílias políticas: os socialistas e os democratas-cristãos, que seguiam a doutrina social da Igreja. Hoje não há democratas-cristãos, ou quase não há, porque já não seguem a doutrina social da Igreja, seguem o neoliberalismo, tendo o dinheiro como principal valor. Estas duas famílias foram colonizadas pelo neoliberalismo».

«Tenho alguma esperança numa revolução pacífica, não violenta, mas na ruptura profunda. Não gostaria de uma revolução violenta no meu país. Seria terrível para todos», frisou.
Redação / FC