José Sócrates começou o seu discurso no debate do Estado da Nação com palavras dirigidas ao PSD. Sem nunca pronunciar o nome de Manuela Ferreira Leite ou do partido que dirige, o primeiro-ministro disse que quem descreve a crise como «um abalãozinho» não está em «condições de lhe dar resposta».

«A primeira coisa que há a fazer, para falar realmente verdade aos portugueses, é por de lado a demagogia», disse José Sócrates, acrescentando: «Desde logo, a demagogia de procurar diminuir a gravidade da crise internacional e dos seus efeitos em Portugal».

Citando uma expressão da líder do PSD, o primeiro-ministro continuou: «Agora, ouve-se até dizer que a crise mundial não passa - imagine-se - de "um abalãozinho", repito, "um abalãozinho", como se o facto de todas as economias desenvolvidas estarem em recessão profunda ao mesmo tempo, fosse um pequeno incidente de percurso».

Para José Sócrates o posicionamento do PSD perante a crise «não é uma atitude séria», e por isso «revela», disse, «todo o oportunismo dos seus autores». «Prova que quem o diz não está à altura dos tempos difíceis que atravessamos», anotou. «Quem não compreende esta crise, não está em condições de lhe dar resposta».

«Maquilhagem das contas»

Descrevendo a acção do Governo nos últimos anos, o líder do Executivo socialista disse ainda sobre a crise, que «também é preciso não perceber o que já se conseguiu para ser cego aos primeiros sinais positivos» da economia. E agitou uma das bandeiras governamentais: «A consolidação orçamental é que permite responder melhor à crise».

Depois, um novo ataque: «Este Governo não titularizou ao desbarato dívidas fiscais, nem integrou à pressa fundos de pensões. Este Governo não vendeu a nenhuma empresa uma rede fixa de telecomunicações». «O país sabe quem foram os responsáveis pela maquilhagem das contas e o disfarce do défice», afirmou.

Políticias sociais

As políticas sociais do Governo também serviram de pretexto a José Sócrates para marcar diferenças que considera separarem o seu partido do PSD, dizendo que os sociais-democratas «falam agora do Estado imprescindível». «Com isso apenas revelam a vergonha que têm de dizer aos eleitores, com verdade, e em plena crise, que o que desejam, realmente, é um Estado mínimo, com funções sociais minimalistas», frisou.

«Ainda há pouco tempo achavam uma irresponsabilidade aumentar o salário mínimo», continuou. «Propunham a privatização parcial da segurança social e queriam que as classes médias passassem a pagar a prestação de cuidados de saúde».

Última actualização às 16:10
Hugo Beleza / Sara Marques