O secretário-geral do PS desafiou este sábado Passos Coelho a tomar a iniciativa de salvar Portugal, falando com líderes da União Europeia em vez de estar sentado em São Bento à espera das decisões de Merkel e Sarkozy.

Na sessão de abertura da Convenção Autárquica dos socialistas de Vila Nova de Gaia, António José Seguro declarou que se fosse hoje o primeiro-ministro português não estava «descansado em São Bento à espera que o senhora Merkel tomasse decisões».

António José Seguro adiantou ainda que se fosse primeiro-ministro tinha tomado a iniciativa de falar «com outros chefes de Estado da União Europeia» e não deixava que dois estados membro - Alemanha e França - decidissem.

«Este é um momento decisivo, ter ideias, propostas», sugeriu Seguro, referindo que Portugal «tem de ter um pensamento estratégico sobre a Europa» e reiterando que o país «tem de encontrar aliados e criar instrumentos para responder à crise sistémica da Europa».

Para Seguro, o que neste momento está a acontecer é que a Europa está «capturada» pela chanceler alemã Merkel e pelo presidente francês Sarkozy e, para evitar esse facto, apelou aos líderes europeus e, em particular ao primeiro-ministro português, para que todos tomem iniciativas e não deixem o «campo exclusivamente àquilo que são as ideias de Merkel».

O secretário-geral do PS considera que a resposta à crise actual tem uma dupla dimensão: nacional e europeia, e acusa o Governo de defender que a resposta é meramente nacional.

«O PS não está sozinho. Quem está sozinho, isolado e recebe ordens da senhora Merkel é o Governo». Nós defendemos um papel «mais activo do Banco Central Europeu, nós necessitamos da emissão de moeda para ajudar a dinamizar a economia mundial, apesar da inflação que pudesse gerar», disse, do púlpito, onde discursou cerca de meia hora.

«Ao conformismo do Governo, ao baixar os braços do Governo eu contraponho a iniciativa política. Eu não cruzei os braços, e já falei com mais de metade dos líderes socialistas da União Europeia, porque é altura de nós reforçarmos as nossas convicções». O líder do PS defendeu que a Europa tem de tomar decisões.

«A Europa tem andado muito a correr atrás do prejuízo e é altura de se tomarem decisões. As decisões não podem ser impostas. Não pode haver a senhora Merkel e o senhor Sarkozy que se juntam a um almoço ou que se telefonam e impõem em conjunto aquilo que é a sua receita aos outros líderes», insinuou Seguro.
Redação / PP