A taxa de participação nas eleições europeias, realizadas entre quinta-feira e hoje nos 28 Estados-membros da União Europeia, fixou-se nos 50,5%, a mais elevada dos últimos 20 anos e oito pontos acima do anterior sufrágio, anunciou o Parlamento Europeu.

Com as urnas encerradas em toda a União, os dados oficiais anunciados esta noite no hemiciclo de Bruxelas confirmam a estimativa divulgada ao início da noite e que apontava para uma participação entre os 49% e os 52%, tendo o porta-voz do Parlamento Europeu, Jaume Duch, sublinhado que este é o aumento da afluência às urnas “mais significativo” desde as primeiras eleições, em 1979.

A taxa de participação nas eleições europeias deste ano ultrapassa, então, a barreira simbólica dos 50% e é cerca de oito pontos superior àquela registada há cinco anos, de 42,6%.

Portugal contraria esta tendência, com as projeções a apontarem para uma abstenção acima de 68,7%, provavelmente a mais elevada de sempre.

Abstenção de 68,6% é a mais alta de sempre

As eleições para o Parlamento Europeu registaram no domingo a taxa de abstenção mais elevada de sempre em Portugal, de 68,6%, mas o número de votantes foi superior em cerca de 30 mil.

De acordo com os dados disponíveis no site da Direção-Geral da Administração Interna (DGAI), quando faltavam apurar duas freguesias e atribuir seis mandatos, a taxa de participação ficou nos 31,36%, situando-se a taxa de abstenção em 68,6%, ultrapassando a taxa registada em 2014, de 66,2%.

Contudo, em termos absolutos, o número de votantes será maior do que em 2014, com mais cerca de 30 mil eleitores a votar nas europeias de domingo, de acordo com os dados apurados pela DGAI, cerca das 00:50 de hoje.

Nas presentes eleições, do total de eleitores inscritos, 1.431.825 são cidadãos recenseados fora do território nacional, representando 13,3%.

Nas eleições de 2014, a percentagem de eleitores registados fora do território nacional era apenas de 2,5%.

A taxa de abstenção de 68,6% nas eleições de domingo é a mais alta de sempre em eleições em Portugal, ultrapassando a registada nas europeias de 2014 – que já tinha sido a mais elevada - e até a verificada no referendo à Interrupção Voluntária da Gravidez, em 1998, em que a abstenção foi de 68,1%.

Este ano, na sequência do recenseamento automático, o universo eleitoral era de 10.761.156 eleitores, quando nas anteriores eleições para o Parlamento Europeu, em maio de 2014, eram 9.696.481.

Nas eleições europeias de 1994, 64,46% dos eleitores optaram por não votar. No ato eleitoral de 2009, o valor ficou nos 63,1%.

No anterior ato eleitoral para o Parlamento Europeu, em 2009, 63,14% dos eleitores não foram votar, confirmando que as europeias são as eleições que habitualmente suscitam menos interesse por parte dos portugueses.

Nas primeiras europeias, em 1987, um ano depois da adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), a participação foi maior, com apenas 27,8% dos eleitores a não exercer o direito de voto.

Dois anos depois, a abstenção subiu para os 48,8%, em 1999 chegou aos 60% e em 2004 foi de 61,3%.