O Partido Popular Europeu ocupará 178 assentos na próxima assembleia europeia, segundo os resultados provisórios divulgados pelo Parlamento Europeu (PE), que confirma a queda das famílias políticas tradicionais.

Apesar de perder 39 lugares no hemiciclo, o Partido Popular Europeu mantém-se como a principal força política europeia, seguido dos socialistas europeus, que terão 152 eurodeputados, menos 35 que no final da legislatura atual, o que significa que as duas maiores famílias do PE juntas não chegam à maioria.

Segundo a projeção, baseada em resultados oficiais e provisórios em 22 países e em estimativas nos restantes seis, a Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa (ALDE) torna-se, de forma destacada, na terceira força política no PE, com 108 eurodeputados, um crescimento de 40 eurodeputados, enquanto os Verdes europeus ganham 15 assentos, para ser o quarto grupo político, com um total de 67 representantes.

Socialistas querem acabar com “monopólio natural” do PPE

A Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D) manifestou hoje intenção de acabar com o “monopólio natural” do PPE, o mais votado, com “novas alianças”.

“Este não é o monopólio natural do PPE. Precisamos de novas coligações para melhorar as condições de vida das pessoas”, vincou Udo Bullmann, líder do S&D, falando no Parlamento Europeu, em Bruxelas, nas primeiras reações da noite eleitoral.

Na sua intervenção, Udo Bullmann afirmou que “o PPE vai ver esta noite que não tem a força necessária para liderar o Parlamento Europeu e a Comissão Europeia”.

“Mais importante do que os cargos é a aliança que temos para um programa”, acrescentou.

De acordo com o responsável, “há uma grande chance de Frans Timmermans liderar a Comissão”, numa alusão ao candidato do S&D para o executivo comunitário, que “é o mais qualificado para o cargo”.

Como principais objetivos, o responsável vincou que os socialistas europeus querem “lutar contra as alterações climáticas e melhorar as questões sociais”, aumentando também a verba alocada para estas questões.

“Precisamos de novas alianças para uma reforma neste parlamento”, reforçou.

Questionado sobre resultados nalguns países, Udo Bullmann admitiu que “há margem para progresso” na Alemanha, onde os sociais-democratas do SPD confirmaram a tendência de queda, registando apenas 15,5% dos votos, quase metade dos 27,3% que obtiveram em 2014, segundo as primeiras projeções.

“Vamos ver o resultado em Lisboa e em Madrid”, concluiu Udo Bullmann, mostrando-se otimista sobre os votos no Partido Socialista (PS) português e do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

Liberais reclamam papel crucial após fim da hegemonia de PPE e S&D

A família política europeia dos Liberais reivindicou hoje, em Bruxelas, um papel “crucial” na próxima legislatura do Parlamento Europeu, ao afirmar-se como o terceiro maior grupo da assembleia, onde PPE e Socialistas deixam de ter uma maioria.

Numa primeira reação, no hemiciclo de Bruxelas, à primeira estimativa divulgada pelos serviços do próprio Parlamento Europeu, o líder parlamentar da Aliança dos Democratas e Liberais pela Europa (ALDE), Guy Verhofstadt, sublinhou que, pela primeira vez, Partido Popular Europeu e Socialistas e Democratas (S&D) não têm, entre si, uma maioria, pelo que a sua bancada terá um papel “crucial”.

“Isso significa que não será possível qualquer maioria pró-europeia sólida sem a participação do nosso grupo centrista, composto por ALDE, a Renascença e outros”, declarou Verhofstadt, segundo o qual “no final da noite ficará claro que este foi o grupo pró-europeu que realmente ganhou estas eleições”, registando a maior subida entre todas as bancadas.

Verdes ganham terreno e acolhem estreante PAN

O Grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia ganhou terreno e tornou-se na quarta maior força do Parlamento Europeu, ao conseguir quase 70 eleitos, um dos quais o eurodeputado português do PAN, que se estreia na assembleia europeia.

Numa altura em que as manifestações pelo clima estão na ordem do dia e em que o fim do plástico se tornou numa luta comunitária, as eleições para o Parlamento Europeu que decorreram entre quinta-feira e domingo, revelaram a ascensão de vários partidos ecologistas na União Europeia (UE).

Uma “onda verde” na UE, como afirmou o eurodeputado ecologista holandês Bas Eickhout.

Segundo os resultados provisórios mais recentes, de perto da meia-noite (hora de Lisboa), os Verdes europeus conseguiram 67 assentos, tirando o lugar aos Reformistas e Conservadores Europeus (que conseguiu 61) e tornando-se na quarta força mais votada nestas eleições europeias, que elegeram um total de 751 eurodeputados.

A predominar na assembleia europeia continuam, ainda assim, o Partido Popular Europeu (PPE), com 180 eleitos, a Aliança Progressista dos Socialistas e Democratas (S&D), com 152, e a Aliança dos Liberais e Democratas pela Europa (ALDE), com 105, de acordo com os mesmos resultados provisórios.

Do lado ecologista, as principais surpresas vieram da Alemanha, da Áustria, da Holanda e da Irlanda.

Na Alemanha, os Verdes foram o segundo partido mais votado, elegendo 22 eurodeputados, contra 13 há cinco anos.

Naquele país, os Verdes nunca tinham conseguido um resultado tão alto num escrutínio ao nível nacional, nem próximo.

Nas europeias de há dez anos, chegaram aos 12%, mas agora transformam-se na força de esquerda mais votada do país.

Na Áustria, os Verdes foram o terceiro partido mais votado e na Holanda e na Irlanda foram o quarto.

A estrear-se em Estrasburgo, no próximo mandato, está o partido português Pessoas-Animais-Natureza (PAN), que elegeu um eurodeputado pela primeira vez no domingo.

Eurocéticos crescem no PE

Os partidos eurocéticos aumentaram a sua representação no Parlamento Europeu, mas sem obter o número de assentos suficiente para bloquearem sozinhos votações decisivas, como "ameaçavam" sondagens anteriores ao escrutínio.

Divididos por três grupos políticos Conservadores e Reformistas (ECR), Europa das Nações e das Liberdades (ENF) e Europa da Liberdade e da Democracia Direita (EFDD), somam no total, 172 eurodeputados, mais 17 que na atual assembleia, segundo dados ainda provisórios.

Mesmo que se unissem num único grupo político, o que é muito improvável, não seriam a maior família política no PE, lugar que, apesar das perdas, continua a ser do Partido Popular Europeu (PPE), que elegeu 180 deputados, segundo os mesmo resultados provisórios divulgados pelo PE.

Representam cerca de 22,5% do hemiciclo, uma percentagem bem mais baixa que os 33% que ambicionavam, o número necessário para bloquear a atividade legislativa do PE.

Atualmente com 70 deputados, o ECR deverá perder nestas eleições nove, em parte devido ao descalabro eleitoral do Partido Conservador britânico, castigado nas urnas pelo fracasso em concluir o Brexit.

No parlamento cessante, o ECR integra por exemplo o polaco Lei e Justiça (PiS), de Jaroslaw Kaczynski, que afirmou por várias vezes que recusa qualquer aliança com a União Nacional (RN, ex-Frente Nacional) de Marine Le Pen, a qual integra o Europa das Nações e das Liberdades.

No ENF, onde além de Le Pen estão a italiana Liga, de Matteo Salvini, o austríaco Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ) e o holandês Partido para a Liberdade (PVV), de Geert Wilders, deve aumentar os atuais 36 assentos para 57, ajudado pelos bons resultados em Itália e França, que compensaram as perdas na Áustria e Holanda.

O EFDD, criado por iniciativa do britânico UKIP então liderado por Nigel Farage e que integra nomeadamente a extrema-direita alemã da Alternativa para a Alemanha (AfD), o italiano Movimento 5 Estrelas e os Democratas da Suécia, cresce dos atuais 48 deputados para 54, em parte graças ao impulso do UKIP.

As negociações para formar os grupos políticos no próximo PE começam na segunda-feira e devem prolongar-se até 24 de junho.

De fora destes grupos estão por exemplo o espanhol Vox, que não revelou até ao momento a que grupo pretende juntar-se.