O presidente da Área Metropolitana de Lisboa (AML) disse ser “provável” a retirada de todas ou de uma parte das freguesias que se encontram em estado de calamidade no âmbito da pandemia, caso a situação continue a evoluir positivamente.

“A evolução que temos tido ao longo das últimas semanas tem sido uma evolução positiva na generalidade dos municípios da área metropolitana e nas várias freguesias. Essa avaliação vai ser feita no início da próxima semana com o Governo. Se for possível registar, ao longo destes dias que ainda faltam, uma evolução positiva, como aquela que temos vindo a registar, o mais provável é de facto a retirada de freguesias da lista da situação de calamidade”, avançou Fernando Medina (PS). 

O presidente da Área Metropolitana de Lisboa, que falava aos jornalistas à margem do lançamento de uma obra no âmbito do Programa de Renda Acessível em Entrecampos, argumentou que “a situação hoje é significativamente melhor do que aquela que era há umas semanas”.

“Enquanto há umas semanas enfrentávamos o risco, e eu referi várias vezes, de os números poderem melhorar ou poderem piorar, quando se passam algumas semanas com os números a melhorarem, é natural que a situação se altere”, defendeu Fernando Medina, também presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

A generalidade de Portugal Continental entrou no dia 1 de julho em situação de alerta devido à pandemia de covid-19, com exceção da AML, que passou para o estado de contingência.

Na AML, que é constituída por 18 municípios, 19 freguesias de cinco concelhos - Loures, Amadora, Odivelas, Lisboa e Sintra - permaneceram em estado de calamidade, já que, segundo disse na altura o primeiro-ministro, é onde se concentra "o foco de maior preocupação de novos casos [de infeção] registados".

A cada um destes três 'níveis', que vigoram até ao final do mês, correspondem diferentes restrições ao desconfinamento.

Na próxima segunda-feira, o Governo reúne-se com os presidentes dos cinco municípios da AML com freguesias em estado de calamidade para discutir e decidir sobre o prolongamento ou não do estado de calamidade.

As 19 freguesias que estão em estado de calamidade são: Santa Clara (Lisboa), as quatro freguesias do município de Odivelas (Odivelas e as uniões de freguesias de Pontinha e Famões, Póvoa de Santo Adrião e Olival Basto, e Ramada e Caneças), as seis freguesias do concelho da Amadora (Alfragide, Águas Livres, Encosta do Sol, Mina de Água, Venteira e União de Freguesias de Falagueira e Venda Nova), seis freguesias de Sintra (uniões de freguesias de Queluz e Belas, Massamá e Monte Abraão, Cacém e São Marcos, Agualva e Mira Sintra, Algueirão-Mem Martins e a freguesia de Rio de Mouro) e duas freguesias de Loures.

Falando especificamente sobre a freguesia de Santa Clara, a única do concelho de Lisboa em estado de calamidade, o presidente da autarquia disse que têm sido registadas melhorias tanto nos focos locais, como “nos números globais”.

“Porque no fundo o que se tratava era o controlo de focos que, estando na comunidade, tivemos a capacidade de os isolar, de os confinar e, no fundo, de impedir a sua propagação. E isso é um trabalho que está a ter bons resultados e que já está a ter efeitos nos números que nós estamos a registar”, considerou.

Naquelas 19 freguesias foram impostas medidas especiais de confinamento, como o “dever cívico de recolhimento domiciliário”, ou seja, as pessoas só devem sair de casa para ir trabalhar, ir às compras, praticar desporto ou prestar auxílio a familiares.

Os ajuntamentos estão limitados a cinco pessoas e estão proibidas as feiras e mercados de levante.

Portugal contabiliza pelo menos 1.705 mortos associados à covid-19 em 49.379 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

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