A história e o futuro do Partido Comunista Português foram o tema central do debate desta sexta-feira da noite informativa da TVI24, com Pacheco Pereira, Fernando Rosas e o antigo dirigente do PCP, Domingos Lopes.

Numa altura em que o PCP está a poucos meses de celebrar 100 anos de vida, a clandestinidade, a resistência à ditadura e a luta pelos direitos dos trabalhadores são alguns dos traços mais marcantes do partido, que continua fiel ao marxismo-leninismo.

Fernando Rosas destaca que o Partido Comunista foi absolutamente essencial na resistência à ditadura e criou, nesse processo, uma sólida base de apoio por parte dos trabalhadores.

O PC foi um partido que, entre 1973 e 1983, chegou a ter 17 a 19% de votação”, afirma o historiador, sublinhando que o partido é o mais antigo do país e aquele que não nasce de uma cisão de socialistas, mas de anarquistas simpatizantes da revolução soviética.

Um dos momentos determinantes na história dos comunistas foi, durante a II Guerra Mundial, a transformação do partido marcado pela agitação e propaganda num partido central para uma solução política antifascista.

Há uma reorganização levada a cabo por uma camada mais jovem, constituída por nomes como Álvaro Cunhal, Fernando Piteira Santos e Dias Lourenço, que vão ser o núcleo de uma nova geração que refunda o PCP e torna-o um partido à escala nacional”, afirma.

Na mesma linha, Pacheco Pereira sublinha que o PCP teve de enfrentar ao longo da história roturas “em que praticamente um partido inteiro fica para trás”.

Quando há a queda da União Soviética, há também o fim de uma certa noção clássica do marxismo-leninismo. Não há praticamente nada do marxismo-leninismo que resiste neste Partido Comunista”, diz Pacheco Pereira.

Nesse caso, surge a pergunta: porque é que alguns partidos comunistas sobreviveram na Europa? 

Pegando em exemplos como os partidos ligados aos movimentos comunistas na Finlândia e na Grécia, Pacheco Pereira afirma que estes, como o português, eram compostos por uma base social de setores operários e de pequenos comerciantes, “as bases mais atingidas pela modernização do capitalismo”.

Estes partidos davam voz e protegiam estes setores”, refere Pacheco Pereira, vincando que o grande problema dessa base social é a lei da vida. “O envelhecimento do PCP tem muito a ver com o envelhecimento deste setor”.

Também Domingos Lopes traz à memória os anos sessenta, altura em que o partido era composto por eleitores do progresso social, “associações de estudantes, patrocinadores culturais, escritores encenadores”.

O antigo dirigente comunista sublinha ainda que, no fim da década de sessenta, o PCP teve a capacidade de entrar nos sindicatos fascistas e de os mudar por dentro. Isto gerou “milhares e milhares de quadros que, espantosamente, a partir do 25 de Abril, fizeram este partido”.

Esta juventude, refere Domingos Lopes, fez com que passasse de um partido de milhares para centenas de milhares.

Se nós repararmos hoje no partido, quais são os ativistas dos anos 80 que ainda lá estão? Quase nenhum”, traça o antigo dirigente.

Domingos Lopes admite ainda que o futuro comunista passa por se adaptar às novas causas e que isso significa recrutar os principais ativistas dos movimentos estudantis.