O secretário-geral do Partido Comunista revelou que houve um grande debate interno sobre a realização do evento, mas, no final, a decisão da direção foi “unânime”.

Jerónimo de Sousa fez saber que, para a direção, o grande foco foi sempre “garantir a segurança e a proteção sanitária”.

O PCP preocupou-se em relação a essas medidas sanitárias, indo mais longe que qualquer concerto, que qualquer evento, que qualquer praia”, sublinhou.

 A direção-geral de Saúde admite, no entanto, a existência de risco de contágio. Questionado sobre se estava nervoso com o potencial risco de um surto na Festa do Avante!, o líder comunista ironizou.

Risco? Risco existe desde que nascemos. Todos nós corremos esse risco”, disse. “Mas creio que estão criadas as condições para que a Festa do Avante! seja um êxito, garantido a segurança dos portugueses.”

Sobre se a postura do Partido Socialista e da Direção-Geral de Saúde em relação à realização da festa serviu para facilitar uma futura negociação no Orçamento do Estado, o secretário-geral do Partido Comunista remeteu para os elevados critérios sanitários do evento.

A Direção-Geral de Saúde esteve aqui e viu as condições em que a festa se ia realizar”, explicou. “São duas coisas totalmente distintas: a realização da festa e o nosso posicionamento em relação ao Orçamento do Estado.”

Jerónimo de Sousa garantiu que vai avançar para as negociações do Orçamento de Estado de 2021 com “espírito de proposta”, deixando a ainda a garantia de que a posição do PCP dependerá da proposta do Governo.

O líder comunista afirma que não traçará “linhas vermelhas” nas negociações do Orçamento, mas diz que, num quadro de crise económica e social, o PCP tentará “influenciar” o mais as propostas do Governo, para que “sirvam os interesses do povo, dos trabalhadores e do país”.

Sobre se esta será a última Festa do Avante! liderada por Jerónimo de Sousa, o líder do histórico partido remeteu para o Congresso do partido, no final de novembro, donde saíram “as grandes orientações” para os próximos quatro anos do partido.

João Morais do Carmo / JGR