O ministro das Finanças cessante, Mário Centeno, despediu-se esta terça-feira do Governo, ao lado do primeiro-ministro, António Costa, e do ministro das Finanças indigitado, João Leão.

Foi uma enorme honra poder responder a todos os desafios", disse Mário Centeno.

 António Costa, Mário Centeno e João Leão estiveram juntos no briefing final do Conselho de Ministros, que aprovou o Orçamento Suplementar. 

Mário Centeno recordou os 1.664 dias como ministro das Finanças, que acresce mais 900 dias em acumulação de cargos como presidente do Eurogrupo, admitindo que este "é um fim de um ciclo, longo para a história da democracia".

Os números fizeram parte deste trajeto. Os números sempre estiveram certos", concluiu Centeno.

Ao concluir as declarações aos jornalistas, Mário Centeno deixa uma "quase certeza": "Os números vão continuar a estar certos, porque João Leão é um fator de continuidade que Portugal merece e tem de continuar a aproveitar".

O ministro das Finanças cessante afirmou também que a sua presença nesta conferência de imprensa, ao lado do chefe do Governo e do seu substituto nas Finanças, sinaliza a “enorme honra” em fazer parte desta equipa governamental e em responder aos desafios que trilharam em conjunto nestes últimos anos.

Em tempos em que as regras de segurança para conter a pandemia obrigam ao distanciamento social, Mário Centeno deixou o abraço aos colegas do Governo para “uma altura sanitariamente mais conveniente”.

Mário Centeno, ministro das Finanças desde 2015, vai abandonar o cargo depois de ter levado as contas públicas portuguesas ao primeiro saldo positivo desde 1973, num percurso com várias peripécias ao longo de mais de quatro anos.

O Presidente da República aceitou esta terça-feira a exoneração de Mário Centeno como ministro de Estado e das Finanças, proposta pelo primeiro-ministro, e a sua substituição por João Leão, até agora secretário de Estado do Orçamento.

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Costa discutirá novo governador do BdP com "o próximo" ministro das Finanças

O primeiro-ministro, António Costa, disse esta terça-feira que a nomeação do próximo governador do Banco de Portugal (BdP) será discutida com o próximo ministro de Estado e das Finanças, João Leão, e que o Governo tomará decisões "na altura própria".

Quanto à governação do Banco de Portugal, terei oportunidade de discutir o assunto com o próximo ministro de Estado e das Finanças, como sempre disse, proceder à audição dos partidos políticos, conversar com o próprio senhor governador, e na altura própria o Governo tomará decisões sobre essa matéria", disse António Costa no final do 'briefing' do Conselho de Ministros, que decorreu hoje no palácio da Ajuda, em Lisboa.

Sobre outras matérias de futuro, o primeiro-ministro confirmou ainda que todos os secretários de Estado das Finanças cessam funções na próxima segunda-feira, e que a nova equipa, liderada por João Leão, será apresentada "oportunamente".

Como se sabe, com a saída dos ministros, saem automaticamente todos os secretários de Estado que dependem dos ministros. Portanto, com a saída do professor Mário Centeno, todos os secretários de Estado que prestam serviço no Ministério das Finanças cessam as suas funções na próxima segunda-feira", afirmou António Costa.

O chefe do Governo acrescentou ainda que "oportunamente, o novo ministro de Estado e das Finanças [João Leão] constituirá a sua equipa e a apresentará".

Rafaela Laja / atualizada com Lusa às 14:52