A revelação feita pela TVI na reportagem "Quando tudo falha", sobre o escasso número de casas reconstruídas, agora que passa um ano dos incêndios de outubro, foi tema levado pelo PSD ao Parlamento, no debate quinzenal desta quarta-feira, exigindo explicações ao primeiro-ministro.

"Até hoje só há oito casas reconstruídas num universo de 28 concelhos. Senhor primeiro-ministro, passou um ano sobre os incêndios. Que explicação tem sobre isto?", questionou o líder da bancada social-democrata, Fernando Negrão.

Na resposta, António Costa limitou-se a dar o “ponto da situação” - o mesmo que o ministro do Planeamento deu na reportagem de Ana Leal - relativamente aos “828 pedidos aprovados para a reconstrução”. Desse total, o chefe de Governo disse que 285 operações estão “integralmente concluídas e 455 estão em execução” e que, em 87 casos "foram concedidos apoios diretos às famílias para que elas próprias procedessem às reparações".

Ora, à TVI, o ministro Pedro Marques disse que "têm sido publicados e estão disponíveis há muito tempo no site da CCDR Centro os pontos de situação da reconstrução das habitações". Os números que Costa referiu vão de encontro aos seus: "Nós temos cerca de 200 casas com a reconstrução integral  com a reabilitação concluída, temos mais ou menos 500 casas em execução, em obra e temos cerca de 100 casas que são até as casas que os proprietários individuais decidiram reconstruir de modo próprio e que estão apoiadas por nós, autorizado o pagamento quando as obras foram feitas".

Porém, a TVI consultou os números mais recentes da CCDR Centro, que contradizem por completo o que o ministro afirma e que Costa veio agora repetir. Na maioria dos concelhos, há zero reconstruções concluídas.

Um documento oficial, datado de 24 de setembro, confirma que há apenas oito casas reconstruídas e concluídas nos 28 concelhos: cinco em Arganil, duas em Seia e uma em Tondela. Tudo o resto está a zeros, num total de 366 casas da responsabilidade da CCDR Centro.

No debate, o deputado do PSD, o primeiro a questionar António Costa a seguir à intervenção inicial do chefe do executivo, fez um breve comentário à proposta de Orçamento do Estado para 2019 que o Governo irá apresentar ao parlamento, dizendo que se adivinha um orçamento “eleitoralista”.

Fernando Negrão aludiu à reunião de terça-feira com o ministro das Finanças, Mário Centeno, no parlamento, dizendo que o primeiro-ministro repetiu na sua intervenção aquilo que Centeno já havia dito.

“O que se avizinha claramente e como diz Rui Rio [presidente do PSD] é um orçamento eleitoralista. Nós teremos tempo, na altura certa de o discutir com o Governo e com os partidos políticos”, disse.