O Governo português, através do Ministério dos Negócios Estrangeiros, expressou esta segunda-feira, em comunicado, “profundas condolências às famílias dos dois soldados franceses vítimas de um novo incidente no Mali”.

Dois soldados franceses foram mortos no sábado por um engenho explosivo improvisado (IED, na sigla em inglês), no nordeste do Mali, anunciou a Presidência francesa.

As mortes ocorreram depois de outros três militares franceses terem sido mortos em circunstâncias similares – o IED é acionado à passagem da viatura com os militares – em 28 de dezembro.

Emmanuel Mácron “soube com grande tristeza” das mortes na região de Ménaka “ao fim da manhã de dois soldados do 2.º Regimento de Hussardos de Haguenau, a sargento Yvonne Huynh e Loic Risser”, segundo um comunicado do palácio presidencial, distribuído no sábado.

Yvonne Huynh foi a primeira mulher militar francesa a morrer neste país da África Ocidental.

No texto do ministério liderado por Augusto Santos Silva afirma-se que “o Governo português reitera a sua total solidariedade para com o Governo francês e os respetivos esforços de estabilização no Mali e na região do Sahel”.

A França destacou mais de 4.000 militares em cinco países do Sahel – Mali, Mauritânia, Níger, Chade e Burkina Faso – com o objetivo de apoiar os exércitos locais e impedir o estabelecimento de ‘jihadistas’ na região.

A operação, apelidada Barkhane, teve início em 2014, em substituição da Serval, lançada no ano anterior. No total das duas operações, 47 soldados franceses morreram.

A instabilidade que afeta o Mali começou com o golpe de Estado em 2012, quando vários grupos rebeldes e organizações fundamentalistas tomaram o poder do norte do país durante 10 meses.

Os fundamentalistas foram expulsos em 2013 graças a uma intervenção militar internacional liderada pela França, mas extensas áreas do país, sobretudo no norte e no centro, escapam ao controlo estatal e são, na prática, geridas por grupos rebeldes armados.

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), mais de 4.000 pessoas foram mortas em ataques terroristas em 2019 no Mali, Burkina Faso e Níger, tendo o número de pessoas deslocadas aumentado 10 vezes, ficando próximo de um milhão.

Independente desde 1960, o Mali viveu, em 18 de agosto, o quarto golpe militar na sua história, depois dos episódios ocorridos em 1968, 1991 e em 2012.

Portugal tem no Mali 74 militares integrados em missões da ONU e da União Europeia.

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