A Ministra da Justiça admite que não vai ser fácil fazer uma avaliação criminal das alegadas situações de abuso no processo de vacinação. Em entrevista ao jornal Público, Francisca Van Dunem diz que os únicos casos que poderão apontar para crime serão os de favorecimento familiar.

A campanha de vacinação contra a covid-19 em Portugal começou a 27 de dezembro de 2020. Pouco depois, multiplicaram-se os casos de alegados abusos, numa altura em que os números da pandemia eram elevados e as vacinas escasseavam.

O Ministério Público abriu inquéritos, com a Polícia Judiciária a verificar caso a caso os sucessivos abusos no processo de vacinação. Agora, Francisca Van Dunem alerta que será difícil fazer uma avaliação criminal da maioria dos alegados abusos.

No caso das vacinas, eu penso que não será muito fácil fazer a avaliação do ponto de vista criminal. A não ser naqueles contextos em que se nota que, podendo haver uma alternativa, se beneficiou pessoas em função de uma relação de proximidade”, afirmou a ministra ao jornal Público.

A ministra acrescentou ainda que há fatores que podem condicionar e que é preciso avaliar estas situações “uma a uma” e admite que, num contexto em que as vacinas se possam estragar, faz sentido utilizar as vacinas “no senhor da pastelaria”.

Recorde-se que depois de várias críticas e denúncias às situações de abusos na administração das vacinas, o coordenador inicial da Task Force para a vacinação, Francisco Ramos, demitiu-se.