Última atualização às 17:15

O Bloco de Esquerda anunciou que vai apresentar uma moção de censura ao Governo. O anúncio foi feito esta tarde pelo coordenador partido, Francisco Louçã.

«A novidade dos últimos dias não é a dificuldade pela qual passam as pessoas, o que é novo, e o que é tão importante para o futuro da democracia, é termos a certeza que as medidas que foram tomadas neste contexto de dificuldade e protetorado não têm qualquer capacidade de resolver as nossas dificuldades», salientou numa conferência de imprensa realizada na sede do BE.

Louçã argumentou ainda que «cada uma das medidas que têm vindo a ser adoptadas agrava as dificuldades, precipita a crise e acentua o empobrecimento».

«Hoje todos sabemos que resultado da política que está ser seguida é empobrecer o país para aumentar cada dia a nossa dívida e essa política tem de ser parada», disse.

Moção de censura do BE deverá ser debatida na quinta

O líder bloquista considera que «estamos numa situação absolutamente limite» e que «é por isso que o BE decidiu apresentar uma moção de censura ao Governo».

«Fazê-mo-lo por três razões essenciais. A primeira é que hoje o Governo consagrou perante a Comissão Europeia e perante Durão Barroso um conjunto de medidas de um colossal aumento de impostos que mantém escondido dos portugueses», apontou Louçã, desafiando Passos Coelho a «dizer às vítimas o que já disse aos credores».

«A segunda razão é que se todos os limites já foram ultrapassados por esta política de ocultação, este Governo não tem credibilidade, não tem credibilidade externa e não tem credibilidade internacional», afirmou.

Sobre a terceira razão, Louçã disse: «Durante um ano, o Governo disse-nos que não havia alternativa ao endividamento, não havia alternativa ao agravamento da crise, ao aumento dos impostos, ao aumento do desemprego, à facilitação dos despedimentos, à desigualdade entre quem trabalha e quem recebe os rendimentos de capital. Sabemos agora que não existe nenhuma alternativa na política que o Governo tem vindo a seguir».

PCP também vai apresentar moção de censura ao Governo

O líder do BE saudou «a conjugação de forças de oposição» contra o Governo, que «nunca aconteceu em Portugal» e é «um enorme passo em frente», deixando um apelo a todos os que querem demitir o Executivo.

«Sei que hoje ao longo do dia se demonstrará que essa vontade de conjugação fez o seu caminho e eu saúdo, com toda a amizade, todas essas expressões que possam demonstrar que há quem, em nome dessa força de uma resposta popular, traga determinação, convicção e não vira as costas à luta», afirmou Francisco Louçã.

Para o líder bloquista, este é «um sinal extraordinário»: «Um sinal que Merkel vai perceber, que a troika vai perceber e que Portugal percebe inteiramente».

«Ao longo da última semana, persistimos nessa proposta e em nome dela tive contactos vários com distintas forças de oposição, não me compete revelar qualquer detalhe dessas conversas, elas foram feitas exatamente com a mesma disposição com que o convite surgiu publicamente, sem nenhuma condição, com toda a vontade, abertura e numa convicção que posso garantir que mantemos profundamente, ninguém pode faltar, ninguém se deve excluir num momento de emergência», afirmou Louçã.

Louçã salientou ter feito «todos os contactos que devia ter feito», manifestando disponibilidade para um encontro com o PS: «Nós manifestámos a nossa disponibilidade total em relação a todas as forças de oposição».
Redação