O presidente do CDS-PP disse este sábado que “já estava à espera de que o fracasso” do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) fosse imputado à direita. porque o Governo sacode a “água do capote e imputa responsabilidades a terceiros”.

Eu já estava à espera de que o fracasso deste PRR fosse culpa da direita, porque neste Governo todos estamos habituados que a culpa nunca é dos membros socialistas, é sempre de alguém”, afirmou.

À margem de uma arruada em Oliveira do Hospital, onde é candidato à Assembleia Municipal, Francisco Rodrigues dos Santos foi confrontado pelos jornalistas com as palavras do secretário-geral do PS e primeiro-ministro, que criticou PSD e CDS por terem convencido a União Europeia de que Portugal tinha “autoestradas por todo o sítio”.

De acordo com António Costa, o Governo travou uma “batalha muito difícil” para persuadir Bruxelas a financiar investimentos rodoviários.

Isto para mim não é novidade, mas acho que está na hora de o primeiro-ministro assumir que este é o seu PRR, é o PRR onde verte as suas prioridades, a sua chave de repartição das verbas em que ignora as famílias e as empresas e que agora está sujeito ao escrutínio dos eleitores”, desafiou o líder centrista.

O líder do CDS salientou que “são sucessivos” os episódios “em que o Governo socialista, em vez de assumir a responsabilidade política dos seus atos, sacode a água do capote e imputa responsabilidades a terceiros”.

Ainda hoje não temos um apuramento das responsabilidades do que se passou no acidente do ministro Cabrita, que continua alegremente em funções como se nada tivesse passado, depois das golas inflamáveis, depois do caso das expropriações que aconteceram em Odemira, depois dos helicópteros Kamov, enfim…”, elencou.

E reiterou que Costa não pode “dizer e prometer coisas que sabe que depois não vai cumprir”, porque isso “parece demagogia e não é correto, nem é sério, numa altura pré-eleitoral”.

Questionado sobre se a direita nunca foi um obstáculo à negociação do PRR, Francisco Rodrigues dos Santos recusou essa ideia.

De maneira nenhuma, aliás, a direita até quis discutir mais este PRR”, apontou, criticando que “se tudo dependesse apenas da vontade do primeiro-ministro, ele tinha decidido de forma absoluta as prioridades do PRR sem prestar cavaco a rigorosamente ninguém”.

Hoje, em Vila Nova de Famalicão, o secretário-geral do PS afirmou que “o PSD e o CDS andaram a convencer a Europa de que Portugal tinha estradas a mais, que tinha autoestradas por todos os sítios e esqueceram-se foi de explicar que, entre o sítio onde as pessoas vivem, entre o sítio onde as fábricas estão e as autoestradas, há um percurso que é necessário percorrer”.

Apontando que quando iniciou o seu primeiro mandato “tinha os pés e as mãos atadas”, porque tinha herdado o programa Portugal 2020, que “não permitia qualquer investimento na rodovia”, António Costa salientou que, quando começou a discutir com a Comissão Europeia o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), travou uma “batalha muito dura”.

Travámos uma batalha muito difícil (...) para desconvencer a Comissão Europeia daquilo que o PSD e o CDS lhes tinham andado a convencer, e fazê-los perceber que, para podermos aproveitar plenamente a rede rodoviária fundamental que o país tem, era necessário agora dotar as áreas de localização empresarial e completar aquelas últimas distâncias entre as autoestradas e as zonas industriais para podermos melhor servir a economia portuguesa”, destacou.

Num discurso de cerca de 20 minutos, Costa afirmou que é por isso que o PSD e o CDS “não gostam do PRR” e que não gostam que o PS “diga a verdade”.

Agência Lusa / CE