O líder do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, acusou, esta quarta-feira, a oposição interna de levar a cabo uma “intifada” contra a sua direção e sugere que os adversários estão dispostos a destruir o partido para voltar a “tomar o poder”, numa entrevista à TVI24.

Eu não pertenço a esse sistema de interesses que se montou no partido, de mais do mesmo. Não faço fretes nem favores a todos aqueles que julgam que o partido é sua propriedade”, frisou. 

O centrista culpa esses mesmos “barões e senadores” de quererem impedir o partido de conseguir projetar para o exterior novos protagonistas políticos, mostrando-se “renovado, refrescado” e capaz de introduzir no espectro político uma ideia de novidade perante os eleitores portugueses.

À questão das eleições internas, Rodrigues dos Santos sublinha que desde que foi eleito líder do CDS-PP “nunca teve paz interna” e aponta para os adversários, “que agora dizem que respeitarão os resultados do Congresso”, de minar a sua liderança desde o momento em que tomou posse, impedindo-o de “construir uma solução que derrube o partido socialista”.

Sobre se não seria preferível deixar o partido ir a votos e afastar de uma vez por todas as questões de legitimidade, o presidente do CDS insiste que, independentemente do resultado que a votação tivesse, “a casa nunca ficaria arrumada no Congresso”.

Questionado sobre o porquê de várias caras conhecidas do CDS-PP lhe terem virado as costas e decidido criticar o jovem presidente do partido publicamente, Francisco Rodrigues dos Santos justifica afirmando que não faz parte do grupo que liderou o partido “nos últimos 20 anos”, que considerou que a sua presidência seria transitória.

O líder centrista sugere ainda a “ala portista” de estar disposta a destruir o partido para poderem voltar a “tomar o poder”. “Eu vejo aqui um grupo que habituou-se a ser dono do partido e que está completamente vedado a estranhos”, destacou Rodrigues dos Santos.

Eu acho que é uma ala que não tem um choque de ideias comigo, porque, caso contrário, desde que se anunciaram como candidatos concorrentes contra mim, teriam apresentado um programa para o país. Isto realmente é quanto pior melhor”, acrescentou.

Para o líder centrista não está em causa um desencontro ideológico, mas sim uma “intifada” contra a sua liderança e um esforço concertado pelos seus adversários para manterem “os seus quintais”.

O CDS decidiu não antecipar o seu congresso e este irá realizar-se “no seu calendário normal”. Para justificar a mudança de decisão de não antecipar o congresso, Rodrigues dos Santos recordou a sua argumentação de que era necessário ganhar tempo para que o partido preparasse as eleições legislativas.

O que aconteceu entretanto foi uma alteração superveniente das circunstâncias. Tivemos uma crise política que ninguém previa e temos eleições legislativas daqui a dois meses e meio. Se eu queria ganhar tempo quando faltavam dois anos, agora há muito mais urgência de virar o partido para o país e ir ao encontro do terreno”, explicou. 

Paulo Portas e Manuel Monteiro, dois históricos líderes centristas, apelaram ao atual presidente do CDS-PP para enveredar pela via do diálogo com os seus adversários internos, de forma a poder integrar as suas equipas na direção do partido, conselho que Rodrigues dos Santos diz ter seguido, sem sucesso. 

Eu optei pela via do diálogo. No dia em que venci a minha moção de estratégia global, eu convidei o João Almeida e o Filipe Lobo D’Ávila a integrarem as suas equipas na minha direção nacional. Só o Filipe Lobo D’ávila aceitou. João Almeida entrincheirou o seu grupo numa oposição interna e externa até aos dias de hoje”, revelou.

Quanto às eleições legislativas, Francisco Rodrigues dos Santos garante estar preocupado em preparar a campanha e apresentar uma alternativa aos portugueses. No entanto, vê vantagens numa coligação com PSD, sublinhando que “a AD tem um efeito mobilizador” do eleitorado e favorece o voto útil contra o PS. 

A coligação é uma hipótese que se coloca do ponto de vista institucional, apesar da liderança do Partido Social Democrata”, reforçou.

Francisco Rodrigues do Santos diz ainda “não estar convencido” de que uma coligação pré-eleitoral com o PSD só seja possível com uma liderança de Rui Rio. Porém, não é claro quanto aos objetivos do partido nas eleições, afirmando que os resultados do CDS-PP “não são mensuráveis”. 

Isso são futurologias que não interessam nada aos portugueses. Os votos têm de se merecer”, reforça.