O líder do CDS-PP afirmou esta quinta-feira que as novas medidas do Governo para combater a pandemia de covid-19 são “mais uma lotaria” e considera que o Presidente da República deve convocar os partidos e retomar as reuniões no Infarmed.

Mais uma lotaria de medidas cheia de avanços e recuos, o que prova a incoerência, a impreparação com que o Governo está a lidar com este assunto, uma vez que navega ao sabor do vento”, afirmou Francisco Rodrigues dos Santos.

O presidente democrata-cristão falava em Santarém, na apresentação dos candidatos do partido à Câmara e Assembleia municipais, Alexandre Paulo e Pedro Melo (um dos vice-presidentes centristas), respetivamente. Na iniciativa estiveram também os ex-presidentes do CDS-PP José Ribeiro e Castro e Manuel Monteiro.

O responsável do CDS-PP perguntou porque é que o Governo, liderado pelo socialista António Costa, “proibiu a semana passada o setor da restauração de trabalhar aos fins de semana” até às 22:30, “com todos os prejuízos acumulados que têm durante esta pandemia, quando esta semana permite que tenham clientela e estejam abertos, desde que as pessoas se apresentem com certificado digital e com teste negativo”.

Perdeu-se mais uma semana para negócios que estão verdadeiramente devastados e prejudicou-se ainda mais o nosso tecido empresarial”, referiu.

Por outro lado, Francisco Rodrigues dos Santos questionou ainda porque é que o Governo “aplica medidas iguais às outras vagas para circunstâncias completamente diferentes”, explicando que “o número de mortos hoje é 10 vezes menos, o número de internamentos é metade”, além de que a percentagem de população vacinada no país é cada vez maior, destacando os mais vulneráveis, além de que a pressão sobre o Serviço Nacional de Saúde está “verdadeiramente controlável”.

E nós continuamos a recuar tanto e a destruir a nossa economia, e sobretudo a utilizar uma matriz de risco que está desadequada face ao perigo real da doença em Portugal”, reafirmou, defendendo, de novo a sua revisão.

Para Francisco Rodrigues dos Santos, “seria boa ideia o senhor Presidente da República voltar a convocar os partidos e encetar novamente reuniões no Infarmed [Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde], para reatar o consenso social e político nas medidas de combate a esta pandemia”.

O presidente do CDS-PP acrescentou que se exigem “medidas proporcionais ao perigo da doença em Portugal e não propostas radicais como o Governo está a fazer que destroem a nossa economia e alimentam o medo das pessoas”.

A pandemia de covid-19 provocou pelo menos 4.004.99 mortos em todo o mundo, resultantes de mais de 185 milhões de casos de infeção pelo novo coronavírus, segundo o balanço mais recente feito pela agência France-Presse.

Em Portugal, desde o início da pandemia, em março de 2020, morreram 17.135 pessoas e foram registados 899.295 casos de infeção, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

O Conselho de Ministros aprovou hoje, entre outras medidas, uma resolução que prorroga a situação de calamidade até ao dia 25 e altera as medidas aplicáveis a determinados concelhos.

De forma a conter o aumento de incidência que se tem verificado, nos municípios de risco elevado e muito elevado prevê-se que “às sextas-feiras a partir das 19:00, ao fim de semana e aos feriados, o funcionamento de serviço de refeições no interior dos restaurantes apenas é permitido a clientes portadores de Certificado Digital Covid da União Europeia ou teste negativo.

Já “o acesso a estabelecimentos turísticos ou a estabelecimentos de alojamento local depende da apresentação pelos clientes, no momento do ‘check-in’”, do certificado digital ou teste negativo.

Chega critica medidas apressadas e que vão gerar “uma enorme confusão”

 O Chega criticou hoje as medidas do Governo sobre a pandemia por serem “apressadas, ao arrepio da evidência científica e em contraciclo” com a Europa, antecipando que as novas restrições na restauração e similares vão gerar “uma enorme confusão”.

O Governo não pode ter cada semana medidas inovadoras, medidas originais, com horários diferentes, com restrições que umas se iniciam outras acabam, outras ganham funções intermédias. É um desastre absoluto e uma confusão total para os portugueses”, condenou o deputado único e presidente do Chega, André Ventura, num vídeo enviado às redações.

Segundo André Ventura, as medidas decididas hoje pelo Conselho de Ministros para controlar a pandemia de covid-19 são “apressadas, tomadas ao arrepio da evidência científica e em contraciclo com o que tem sido feito um pouco por toda a Europa”.

O que nós vemos é, um pouco por toda a Europa, a reabrir a restauração, até o setor da atividade noturna e em Portugal as restrições a aumentarem, cada semana com medidas diferentes, criando uma enorme confusão aos operadores económicos, aos operadores turísticos, aos serviços e ao mercado em geral”, lamentou.

 

 IL critica medidas autoritárias, arbitrárias e "péssima comunicação"

A Iniciativa Liberal acusou esta quinta-feira o Governo de, com as “medidas autoritárias” tomadas sobre a pandemia, estar a dividir a sociedade “em castas”, criticando o desrespeito pela Constituição, o “torpedear de regras arbitrárias” e a “péssima comunicação”.

Os caminhos por onde o Estado português está a enveredar numa altura em que Portugal é líder mundial no ritmo de vacinação e se está a entrar na estação mais favorável do ano são absolutamente condenáveis e abrem brechas no edifício democrático português”, criticou a Iniciativa Liberal, em comunicado, depois de serem conhecidas as novas medidas do Governo para controlar a pandemia de covid-19.

De acordo com os liberais - representados no parlamento pelo deputado único e também presidente do partido, João Cotrim Figueiredo - “o Estado português vem agora dividir a sociedade portuguesa em castas, conferindo-lhes direitos, liberdades e garantias distintos”, numa referência à exigência de certificado digital ou teste para aceder à restauração à hotelaria.

“A constituição não é respeitada, as medidas autoritárias sucedem-se, a confusão perante um torpedear de regras arbitrárias e péssima comunicação é muita, a estupefação e desgaste vão sendo substituídos por resistência”, condenou.

/ RL