Francisco Rodrigues dos Santos respondeu, este domingo, às críticas que tem vindo a receber do opositor à liderança do CDS-PP, Nuno Melo.

Numa declaração aos jornalistas na sede do CDS, em Lisboa, depois de se dirigir ao Conselho Nacional, reunido à porta fechada por videoconferência, Francisco Rodrigues dos Santos foi questionado sobre as críticas do candidato à liderança Nuno Melo, que falou em falta de democraticidade interna da direção ao propor a antecipação do 29.º congresso para o final de novembro.

Recorde-se que a candidatura de Nuno Melo contestou os números das eleições autárquicas de 2021 apresentados pelo presidente do partido, considerando que Francisco Rodrigues dos Santos exibiu "três inverdades".

Em resposta, "Chicão" sublinha que os resultados das eleições autárquicas atingiram os objetivos e diz ainda que "aqueles que atacam estão enfraquecer a imagem pública do CDS".

A minha estratégia para as autárquicas resultou e estava certa (...) Não percebo como é que Nuno Melo apura dados antes da direção", referiu Rodrigues dos Santos, acrescentando que "estas eleições provaram as campanhas internas constantes que existiram dentro do CDS desde o primeiro momento em que fui eleito"

"Chicão" justifica antecipação do congresso com necessidade de preparar legislativas

O presidente do CDS-PP justificou a antecipação do congresso defendendo que o partido não pode perder tempo "em guerras internas" e tem de preparar as eleições legislativas, e considerou que os opositores "estão em campanha há muito tempo".

Todos aqueles que se assumem portistas, que se dizem fiéis sucessores de Paulo Portas, hoje criticam por usar rigorosamente a mesma fórmula que Paulo Portas usou quando era presidente do partido", afirmou, acusando os críticos de "discrepância e incoerência" no discurso.

O líder, e recandidato, respondeu que decidiu "antecipar este congresso precisamente com os mesmos motivos" do antigo presidente, argumentando que "quatro meses é muito tempo em política".

"Não podemos desperdiçá-lo em guerras internas, temos que preparar o partido para o próximo ciclo político que tem pela frente, que são as eleições legislativas e levar a marca do CDS ao Governo de Portugal", considerou.

Francisco Rodrigues dos Santos recusou também retirar espaço aos opositores internos, e afirmou que "estão em campanha há muito tempo".

"Eu estive em campanha pelo país só com um único propósito, fazer com que o CDS saísse mais forte e maior em urnas das eleições autárquicas, mas cruzei-me com muita gente que em vez de estar a fazer campanha pelo nosso partido, esteve a fazer campanha para o congresso", criticou.

Apontando que seus opositores estão a fazer campanha para o derrotarem no congresso desde o dia em que foi eleito, em janeiro do ano passado, disse que "não será certamente por falta de tempo, de disponibilidade e de meios que não farão oposição e não tentarão" derrubá-lo como líder do partido.

"Esse argumento para mim não colhe", considerou.

Rafaela Laja