O presidente do CDS-PP transmitiu à comissão política nacional que vai convocar um Conselho Nacional, refletir quanto à realização do congresso extraordinário, e que só sairá quando entender, disseram à Lusa fontes presentes na reunião.

A comissão política nacional do CDS-PP esteve reunida na quinta-feira à noite, num encontro digital que se prolongou pela madrugada dentro.

Fontes presentes na reunião disseram à Lusa que a maioria dos dirigentes defendeu a convocação de um Conselho Nacional por parte da direção e reconheceu que a situação do partido "é difícil", agravada com a saída do vice-presidente Filipe Lobo d'Ávila e dos vogais da comissão executiva (órgão mais restrito da direção) Raul Almeida e Isabel Menéres Campos, os três do grupo Juntos pelo Futuro.

Temos de convocar um Conselho Nacional", disse Francisco Rodrigues dos Santos, de acordo com dirigentes presentes na reunião da comissão política.

No final da reunião, numa nota enviada à agência Lusa a direção confirmou que, "reunida a comissão política nacional, o presidente do partido decidiu solicitar a convocação de um Conselho Nacional".

Francisco Rodrigues dos Santos corroborou a análise sobre as dificuldades que o partido atravessa, tendo apontado dois caminhos, ou admitir "que está na hora de partir" e o Conselho Nacional terá como objetivo convocar um congresso antecipado e eleições para a liderança (como propôs o antigo vice-presidente Adolfo Mesquita Nunes num artigo de opinião), indicaram as mesmas fontes.

Ou aproveitar a reunião do órgão máximo entre congressos para dar mais força à atual direção, mas admitiu que esta será uma "escolha difícil", referiram.

Quanto ao congresso antecipado, a ideia foi recusada por grande parte dos membros, que se mostraram ao lado do presidente, tendo sido defendida uma reformulação da comissão executiva “com nomes de peso”, acrescentaram alguns dirigentes ouvidos pela Lusa.

Sem ter ainda uma "resposta para dar", o líder centrista adiantou que vai consultar outros protagonistas e estará em reflexão até segunda-feira, e comprometeu-se a voltar a falar com a comissão política, disseram também as fontes ouvidas pela Lusa, indicando que Rodrigues dos Santos afirmou que só deixará a liderança quando entender que deve sair, e não na sequência de um artigo de opinião.

No que toca às críticas apontadas nos últimos dias à estratégia da sua equipa, Francisco Rodrigues dos Santos defendeu a atuação, e questionou "que pecado" cometeu a sua direção para não poder chegar ao fim do mandato, disseram à Lusa fontes presentes na comissão política nacional.

Rodrigues dos Santos, eleito há um ano e ainda terá outro de mandato pela frente, queixou-se também de ataques por parte da oposição interna "desde o primeiro dia" e de não ter sido defendido publicamente ao longo destes dias, referiram alguns centristas.

Na quarta-feira, num artigo de opinião publicado no jornal 'online' Observador, o antigo vice-presidente do CDS-PP Adolfo Mesquita Nunes propôs a realização de um Conselho Nacional para convocar eleições antecipadas para a liderança ainda antes das eleições autárquicas, e defendeu que esta direção "não conseguirá" resolver "a crise de sobrevivência" do partido, mas não adiantou se será candidato a suceder a Francisco Rodrigues dos Santos.

Em resposta, o presidente do CDS-PP defendeu que "mal seria" se "navegasse ao sabor de um artigo de opinião", e lamentou "o dano" que esta discussão provoca ao partido, mas referiu que o assunto seria discutido nos órgãos do partido.

Numa entrevista à TVI na quinta-feira à noite, o eurodeputado Nuno Melo defendeu que o presidente do CDS "deixou de ter condições" para liderar o partido.

/ HCL