As eleições autárquicas “estão à porta” e o PSD, no seu líder, Rui Rio, começou esta quarta-feira a percorrer as ruas a Norte do país, onde, além de queixas de comerciantes, ouviu pedidos para “afastar a extrema-direita”.

Com agenda preenchida até domingo, e já com ritmo de campanha eleitoral, o presidente do PSD arrancou hoje a sua “volta” pelo país no distrito do Porto, passando, de forma rápida, por Marco de Canaveses, Baião e Freamunde, onde ouviu comerciantes locais, almoçou com empresários do turismo e fez um curto passeio de barco pelo rio Douro.

O dia começou e terminou a ouvir lojistas e pessoas que, enquanto a “tímida comitiva” caminhava pelas ruas, o interpelavam, tal como uma senhora em Freamunde, no concelho de Paços de Ferreira, para lhe dizer para “fazer o trabalhinho bem feito e afastar a extrema-direita”.

“E o negócio como vai?” repetia Rui Rio a cada florista, frutaria ou loja de roupa e tintas que entrava, enquanto distribuía pelos seus proprietários panfletos dos candidatos do PSD às eleições de 26 de setembro.

Aproveitando também para perguntar sobre a quebra na faturação e pelos apoios do Estado, o social-democrata ia questionando as pessoas sobre se conheciam os candidatos do PSD.

Minha senhora, está boa? Já conhece estes dois?”, indagava Rui Rio à proprietária de uma sapataria em Freamunde, referindo-se aos candidatos à respetiva câmara municipal e junta de freguesia, pedindo-lhe, em tom de brincadeira, que “emoldurasse” o panfleto para não se esquecer deles na hora de votar.

Na Rua do Comércio, em Freamunde, as queixas eram repetidas e relacionadas com as obras naquela artéria que, de dois sentidos e de estacionamento em espinha, passou para apenas um sentido e estacionamento em paralelo.

“O estacionamento, ou seja, a falta dele é um grande problema”, reiteravam os lojistas, que associavam a esta situação a pandemia de covid-19 para justificar a diminuição das vendas.

“Espero que se faça melhor se você [PSD] ganhar as eleições porque isto está mau”, comentava o dono de uma loja onde se vendia “um pouco de tudo”, desde calçado a utensílios para casa.

Já numa frutaria com 60 anos de existência, última paragem do líder do PSD em Freamunde, a proprietária centrou a conversa na “alegria” de o conhecer pessoalmente e deixou as eleições “de lado”.

“Até que enfim que o conheço pessoalmente, só o conhecia da televisão. Que bom”, rematou, indiferente aos candidatos e aos eventuais problemas.

Nas autárquicas de 26 de setembro, o PSD concorre sozinho a 153 municípios, integra 146 coligações (lidera 142 e as outras quatro são encabeçadas pelo CDS-PP), e em nove concelhos apoia listas de cidadãos independentes (a maioria nos Açores e na Madeira).

Em 2017, o PSD teve o seu pior resultado autárquico de sempre (e que levou à demissão do então presidente Pedro Passos Coelho): os sociais-democratas perderam oito câmaras em relação a 2013 e conquistaram 98 presidências (79 sozinhos e 19 em coligação), embora sem grandes variações em termos de votos e percentagens, tendo o partido somado, sozinho, 16,08% dos votos (contra os 16,7% de 2013).

/ AG