Desconheço” e “não sei responder” foram as respostas repetidas esta quinta-feira sobre o assalto a Tancos, em 2017, pelo atual comandante do Regimento de Engenharia n.º 1 (RE1), Leonel Martins, que se queixou da falta de efetivos.

O coronel, ouvido ao longo de duas horas e meia, a pedido do PS, na comissão parlamentar de inquérito ao furto de Tancos, tornou-se comandante do RE1 mais de um ano depois do furto do material militar, pelo que não viveu, nem participou nas ações que seguiram.

Ao longo de duas horas e meia, Leonel Martins invocou desconhecimento ou falta de elementos para responder aos deputados, por exemplo, se as rondas com oito homens podem ter contribuído para o roubo ou como eram organizadas e com que frequência se faziam em junho de 2017.

Já quanto à “leitura pessoal” que fez dos acontecimentos, a resposta à pergunta do deputado do PS Santinho Pacheco foi direta: “Não deveria ter acontecido, infelizmente aconteceu.”

De resto, a outras perguntas sobre como terá acontecido o roubo, ou se ficou em causa a segurança nacional, a resposta foi invariavelmente a mesma, dizendo que não tinha elementos para responder dado que, à data do furto, nem sequer estava ao serviço do Exército, mas sim a dar aulas.

Tanto Álvaro Castelo Branco, do CDS-PP, como João Vasconcelos, do BE, afirmaram não ver utilidade na audição do atual comandante do RE1, mas também fizeram perguntas.

E Jorge Machado, do PCP, depois de ouvir Leonel Martins que, nos anos 90, fizera rondas em Tancos, aproveitou para perguntar como se organizavam e de quantas em quantas horas fazia a vigilância.

Embora evasivo, sem dizer um número concreto, o comandante do RE1 afirmou que fazia rondas “frequentemente”, não passavam 20 horas sem rondas, como aconteceu na noite do furto, mas, após insistência, admitiu que eram feitas de duas em duas ou de três em três horas.

Já nessa altura, a vigilância era feita por oito efetivos, os mesmos do que em 2017.

Uma frase que levou Santinho Mendes, do PS, dizer que nunca chegou a ser posta em prática uma ordem do Exército para que o efetivo fosse de 44 homens, e reduzido, em 2007, para oito.

Passado um ano e oito meses sobre o furto, há algo que continua válido – a falta de pessoal.

A falta de pessoal é, segundo Leonel Martins, um “aspeto crítico” na sua unidade, dado que tem metade dos homens que “deveria ter” e menos 30% a 35% de praças.

O furto do material militar, entre granadas, explosivos e munições, dos paióis de Tancos foi noticiado em 29 de junho de 2017 e parte do equipamento foi recuperado quatro meses depois.

O caso do furto de armas em Tancos ganhou importantes desenvolvimentos em 2018, tendo sido detidos, numa operação do Ministério Público e da Polícia Judiciária, sete militares da Polícia Judiciária Militar (PJM) e da GNR, suspeitos de terem forjado a recuperação do material em conivência com o presumível autor do roubo.

A comissão de inquérito para apurar as responsabilidades políticas no furto de material militar em Tancos tem previstas audições a mais de 60 personalidades e entidades, vai decorrer até maio de 2019 e é prorrogável por mais 90 dias.