O líder parlamentar do PS admitiu este domingo que, desde 2015, os socialistas tiveram de “trabalhar o dobro” e “muito penosamente” com aqueles que “dizem apoiar” o Governo, mas disse estar “muito orgulhoso” com os resultados.

O desabafo de Carlos César foi feito num discurso num jantar com militantes, em Alpalhão, Nisa, e é aqui citado pela Lusa. O também presidente do PS discursou na abertura das jornadas de proximidade em Portalegre, a dois meses das eleições europeias e a pouco meses do fim da legislatura.

O balanço da legislatura, em que o Governo minoritário do PS teve o apoio da esquerda parlamentar, foi feito por César com palavras duras, tanto para a direita, PSD e CDS, como com críticas indiretas aos parceiros da esquerda, PCP, BE e PEV, que nunca mencionou abertamente.

Foi uma legislatura trabalhosa por que contamos com a negação da oposição e a negação da posição. Perceberam…”

Depois, explicou os motivos de tanto trabalho nos últimos quase quatro anos.

Tivemos o dobro do trabalho, porque tivemos que trabalhar, como é nossa obrigação, com aqueles que se nos opõem e tivemos que trabalhar, às vezes muito penosamente, com aqueles que nos dizem apoiar”.

Logo de seguida subiu o tom de voz e disse que os socialistas estão “muito orgulhosos” do trabalho do Governo.

Carlos César ligou as eleições europeias à legislatura prestes a concluir-se e afirmou que o trabalho do Governo será “indiretamente sufragado” em 26 de maio.

[Os resultados são] um sucesso, quer queiram quer não queiram, os outros partidos não podem deixar de reconhecer”.

E deu o exemplo da quebra do desemprego, em especial entre os jovens, ou ainda do trabalho do executivo para reduzir as desigualdades no país.

César aconselhou os eleitores a, em 26 de maio, pensarem de uma só vez se consideram se “valeu a pena ou não dar força à governação do PS” e se não valerá a pena “dar força ao PS na Europa”.

Pedro Marques, o ex-ministro do Planeamento e atual cabeça de lista do PS às europeias, encerrou o jantar com deputados e militantes socialistas do distrito de Portalegre.

Também hoje, mas em Leiria, o secretário-geral do PS, António Costa, apelou ao voto dos jovens nas eleições europeias, salientando que “há quem sonhe com uma má votação” dos socialistas no sufrágio de maio.

Já a esquerda tem tentado separar águas relativamente ao PS e ao Governo, embora o apoie no Parlamento. "Unidos e bem unidos no apoio aos banqueiros e negociatas", acusou hoje Jerónimo de Sousa, secretário-geral do PCP, referindo-se aos socialistas.

Já a coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, defendeu que o PS tem de fazer uma "reflexão" sobre a ocupação de cargos políticos por familiares de governantes.