O ex-presidente da Câmara do Porto Rui Rio defendeu esta sexta-feira, em Barcelos, que a melhor solução governativa para o país seria “um entendimento ao centro”, em vez de “um entendimento ao extremo”.

Em termos ideológicos, e acima de tudo em termos do interesse do país, a minha opinião é que o entendimento não devia ser ao extremo, mas sim ao centro”, referiu, durante uma conferência sobre “Ética na Política”.

Rio sublinhou, no entanto, que a atual maioria parlamentar (PS, PCP, Bloco de Esquerda e Os Verdes) tem legitimidade e não fere as regras éticas.

Não acho que haja ferimento das regras éticas por se ter constituído uma maior parlamentar que não é uma maioria tradicional e que nunca existiu. Tem essa legitimidade porque não é por eu não gostar que vou achar que os votos num deputado do meu partido valem mais do que os votos num deputado de outro partido”, acrescentou.

Aludindo concretamente ao tema da conferência, Rui Rio enumerou os “sete mandamentos” da Ética na Política: ser verdadeiro, ser coerente, ser leal, ser grato, respeitar os outros, ser sério e ter palavra.

Dos sete, elegeu o “ser sério” como o principal mandamento.

A maior parte dos políticos é séria do ponto de vista material, mas não é séria do ponto de vista intelectual”, referiu.

Criticou, nomeadamente, os que usam o “politicamente correto” e se refugiam em frases como “À política o que é da política, à justiça o que é da justiça. Eu confio na Justiça”.

Para Rio, o politicamente correto é sinónimo de hipocrisia.

Questionado sobre se vê no atual PSD comportamentos eticamente incorrectos, respondeu: “há no partido quem não cumpra integralmente as regras da ética, há uns militantes mais ou menos notáveis que não têm o comportamento que eu acho correto”.

Rui Rio criticou ainda os políticos que não cumprem os seus mandatos até ao fim, incluindo Durão Barroso, que deixou a liderança do Governo para ir para a presidência da Comissão Europeia.

Para fazer aquilo, tinha de ter o partido totalmente consigo. Não o conseguindo, eu não o faria”, referiu.

O ex-autarca do Porto voltou a defender a regionalização, mas uma “boa” regionalização e não “uma qualquer”.

Há soluções boas e bem melhores do que as que temos”, rematou.