O presidente do CDS-PP e ministro de Estado, Paulo Portas, sustentou esta quarta-feira que é insustentável o PS manter um discurso de pedido de legislativas antecipadas, afirmando que «as eleições são daqui a dois anos e meio».

Segundo fontes do PSD e do CDS, esta afirmação foi feita pelo ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros numa reunião com os deputados da maioria parlamentar em que também participou o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, mas suscitou interpretações distintas.

Deputados do PSD contactados pela agência Lusa entenderam as palavras de Paulo Portas como um sinal de estabilidade, tomando-as como uma indicação de que o Governo vai cumprir o seu mandato até ao fim da legislatura. Nesta versão, o presidente do CDS-PP deu a entender que não vale a pena o PS insistir em eleições antecipadas, porque o Governo não vai cair.

Porém, alguns deputados do CDS-PP interpretaram a frase de Paulo Portas como uma simples referência à data prevista para as eleições, enquadrada na defesa da tese de que o PS não poderá manter por dois anos e meio o seu discurso de pedido de legislativas antecipadas e será forçado a assumir uma disposição de compromisso. Segundo estes deputados do CDS-PP, o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros pretendeu apelar a uma «acalmia» do atual ambiente de «crispação», pedindo "paciência" à maioria parlamentar em relação ao PS.

Nesta reunião, segundo as fontes contactadas pela agência Lusa, ninguém fez qualquer referência à eventual contribuição sobre as pensões indexada ao crescimento económico, anunciada pelo primeiro-ministro como uma possibilidade e contestada pelo presidente do CDS-PP.

Tanto deputados do PSD como do CDS-PP consideraram que Paulo Portas e Pedro Passos Coelho mostraram estar em sintonia na reunião de hoje e não houve sinais de divergências.
Redação / FC