O PSD vê o acordo entre Portugal e Espanha sobre o armazém de resíduos nucleares em Almaraz como uma forma de “atirar areia para os olhos” dos portugueses.

“Não é um bom acordo para Portugal, não traz nada de novo, nem acrescenta nada”, reagiu a deputada social-democrata Berta Cabral.

Com este acordo Espanha não muda de opinião, apenas ganha tempo”.

No âmbito da audição regimental ao ministro do Ambiente na comissão parlamentar de Ambiente, Ordenamento do Território e Poder Local, a deputada social democrata acusou também o Governo de “adiar o problema”, uma vez que o anúncio de um acordo com Espanha “tem como único objetivo acalmar a opinião pública” sobre a central nuclear de Almaraz, cita a Lusa.

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A deputada do PSD exigiu ao ministro do Ambiente uma posição “firme” na defesa do interesse de Portugal, referindo que o governante tem de “zelar” nesta questão e tem de a integrar na agenda da Cimeira Ibérica.

BE também critica acordo

Pela parte do Bloco de Esquerda, o deputado Jorge Costa também criticou o acordo, considerando que é “um recuo em toda a linha” e é “lastimável” que o Governo o tenha feito, até porque existia a unanimidade entre todos os agentes portugueses, nomeadamente com os deputados na Assembleia da República, na posição de exigir de Espanha o estudo de impacto ambiental transfronteiriço.

Para Jorge Costa, este acordo prova que a “arrogância” do Governo espanhol, das empresas acionistas da central de Almaraz e da administração desta estrutura “compensa”, cita a mesma agência de notícias.

No acordo, subscrito por Mariano Rajoy, António Costa e pelo presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, consta que Portugal aceitou retirar a queixa contra Espanha feita à Comissão Europeia, enviada a 17 de janeiro.

Em respostas às críticas, o ministro do Ambiente garantiu que Portugal suspendeu a queixa contra Espanha, mas “não prescindiu do seu direito” nesta matéria.

Quanto aos trabalhos a desenvolver nos próximos dois meses, em que Espanha prometeu fornecer a Portugal informação sobre a construção do armazém de resíduos nucleares, João Matos Fernandes disse pretender que os dados estejam disponíveis dentro de três semanas.

A construção de um armazém para resíduos nucleares indicia que a central de Almaraz vai prolongar a sua atividade, apesar dos problemas que tem tido nos últimos tempos.

/ VC