“Imaginemos o contrário: se a Nova Democracia tivesse ganhado estas eleições ouviríamos Pedro Passos Coelho e Paulo Portas a dizerem que tinha falhado o projeto da esquerda na Grécia. Ouviríamos dizer: ‘nós fizemos bem o nosso trabalho aqui e essas aventuras da esquerda não se justificam’, o que não se verifica neste momento. Não dizem nada”, afirmou o académico grego, sublinhando que as sondagens gregas falharam.

“As sondagens falharam na Grécia e é possível que em Portugal também falhem porque não acredito na vitória da coligação. Como na Grécia, as pessoas estão cansadas desta austeridade e na minha opinião vai haver um resultado diferente”, considerou Elias Soukiazis, que destacou também a elevada abstenção nas eleições de domingo.






“O Banco Central Europeu, o Eurogrupo e os credores, depois do golpe que fizeram em julho, ao cortarem o financiamento, obrigaram a Grécia a fechar os bancos continuando a manterem o controlo de capitais sendo que o acordo que Tsipras assinou foi o de aceitar mais austeridade do que aquela que estava prevista anteriormente”, disse Elias Soukiazis, lembrando que a primeira avaliação dos credores sobre as novas medidas está marcada para o próximo mês.

“Aquilo que eu receio é que a partir de outubro venham a ser experimentadas estas medidas com cortes nas pensões e - novamente - um aumento brutal nos impostos como foi feito cá em Portugal. Há também a venda do património das empresas públicas para os gestores privados e, sobre isto, basta dizer que já foram vendidos 14 aeroportos regionais que passaram para as mãos dos alemães”, disse.