Última actualização às 17:38

O secretário-geral da CGTP, Carvalho da Silva, disse esta quarta-feira à tarde que «mais de três milhões» de pessoas estão em greve.

Estes dados foram avançados numa conferência de imprensa em que foi feito um balanço conjunto por parte da CGTP e da UGT.

«Estamos em condições de vos transmitir que estiveram envolvidos nesta greve geral mais de três milhões de trabalhadores e trabalhadoras portugueses», disse o sindicalista.

Carvalho da Silva assinalou ainda que «nos seus aspectos gerais» esta é a greve geral «com maior impacto» realizada «até hoje».

O secretário-geral da CGTP sublinhou a «transversalidade da greve», pelo impacto que está a ter tanto no sector público como privado e nos mais diversos sectores.



«Esta greve vai ter efeitos no imediato e no futuro», disse, salientando que dará força «na discussão de matérias importantes», como «o cumprimento do acordo salários mínimos», a «sustentação da Segurança Social» e os «acordos em relação à protecção dos trabalhadores e desempregados».

«Nós queremos uma negociação que não seja uma farsa», apontou Carvalho da Silva, exigindo «políticas de criação de emprego, de crescimento económico e sobretudo de não empobrecimento da sociedade portuguesa».

O sindicalista também se referiu aos planos de resgate europeus, como os aplicados à Grécia e à Irlanda, considerando que não se tratam senão de «receitas de aumento dos sacrifícios aos trabalhadores e ao povo mais desprotegido para no imediato garantir apenas uma coisa: que aqueles que ganharam com as estratégias especulativas que introduziram nos países vejam agora uma situação que não ponha em causa os ganhos que tiveram e mais ainda, que lhes repõem tudo o que lá investiram».

«Prioridade central é combate ao desemprego»

Ao lado de Carvalho da Silva, João Proença, secretário-geral da UTG, também destacou a importância desta greve, especialmente na área dos transportes públicos, mas também nos portos, e transportes aéreos.

«Foi uma jornada de contestação das políticas traduzidas no PEC 3, traduzidas no Orçamento do Estado que surgiu 15 dias depois do PEC 3. Foi uma jornada que traduziu a esperança num futuro melhor», apontou o sindicalista.

O dirigente da UGT frisou que esta é uma mensagem para que se «mude o caminho», valorizando mais o «emprego» do que a insistência do combate ao «défice».

João Proença disse que os «objectivos do défice só estarão em causa se o ministro das Finanças ou o Governo forem incompetentes». «É fundamental que não haja um novo PEC», acrescentou.

«A prioridade central é o combate ao desemprego», defendeu. «Nós não aceitamos a posição do Governo e de alguns empregadores, mas sobretudo do Governo, de estar a pôr em causa o direito à negociação colectiva», apontou.

«Governo está a pôr em causa uma componente fundamental do modelo social português», disse. «Não há modelo social sem negociação colectiva».

João Proença criticou também a forma como se está a gerir a crise a nível europeu, com «políticas que interessam aos alemães». «O que está a acontecer na Grécia, na Irlanda, com a intervenção do FMI faz recear que sejamos agora o próximo na lista. Aliás os amigos espanhóis sabem bem que só há neste momento um pára-choques chamado Portugal».
Redação / HB