PSD e CDS exigiram esta quinta-feira explicações sobre o tratamento de doentes oncológicos no Hospital de Santa Maria, com os democratas-cristãos a desafiarem o ministro da Saúde a “deixar de ser Centeno ou sair”.

Estas semanas, estes meses, estes anos têm sido marcados por denúncias que chocaram o pais pela ausência de capacidade de reposta do Estado numa matéria tão essencial como a saúde”, afirmou o líder parlamentar do CDS-PP, Nuno Magalhães, em declarações aos jornalistas no parlamento.

Para o líder da bancada centrista, “não deixa de ser irónico que a esquerda que tanto fala do Serviço Nacional de Saúde esteja aos poucos a matá-lo”.

Ou o senhor ministro resolve os problemas e deixa de ser Centeno ou saia para que outro resolva os problemas, os profissionais do setor não acreditam no ministro, o país não acredita no ministro”, afirmou, num apelo dirigido a Adalberto Campos Fernandes e numa referência a uma frase que este utilizou para dizer que no Governo todos estão com o ministro das Finanças, Mário Centeno.

Oncologia de Santa Maria

O CDS-PP já entregou um conjunto de perguntas no parlamento dirigidas ao ministro da Saúde, onde lhe pede que confirme que o Serviço de Oncologia do Hospital de Santa Maria, em Lisboa, está sem capacidade de resposta para o elevado número de doentes oncológicos que a ele recorre.

Os democratas-cristãos querem ainda saber se foram adiados tratamentos, qual a justificação do Governo e que medidas vão ser tomadas para resolver a situação, nomeadamente ao nível da contratação de médicos.

O CDS questiona ainda se o Governo acautelou este tipo de problemas “antes de implementar a liberdade de escolha, por parte do utente, do local onde pretende ser tratado dentro do Serviço Nacional de Saúde”, uma das razões apontadas para os problemas em Santa Maria.

Pelo PSD, o vice-presidente da bancada Adão Silva considerou igualmente inaceitável a situação hoje denunciada no Hospital de Santa Maria e lembrou que, no passado, foram relatados problemas em outras unidades de tratamento oncológico, como o Hospital de São João, no Porto, ou o IPO de Lisboa.

Estas situações são inaceitáveis, a culpa é do senhor ministro da Saúde e do senhor ministro das Finanças”, responsabilizou Adão Silva, que classificou como “decisão atabalhoada” a possibilidade de os utentes escolherem a unidade do SNS onde querem ser tratados.

O vice-presidente do PSD apelou ao Governo, “que diz que acabou a crise e a austeridade”, para dar melhores condições aos cidadãos portugueses que têm de passar por um tratamento oncológico e anunciou que os sociais-democratas irão entregar um conjunto de perguntas sobre o processo de colocação dos médicos.

O país precisa de médicos e o Governo, por mau planeamento, por má organização, não consegue abrir vagas necessárias para que estes médicos tenham o seu internato feito e possam escolher a especialidade de oncologia medica que tanta falta faz”, defendeu.

Em entrevista à TSF, o diretor do serviço de Oncologia de Santa Maria, Luís Costa, afirmou hoje que esta unidade está sem capacidade para tratar os doentes com cancro que têm procurado os seus serviços, já adiou tratamentos e está prestes a abrir uma lista de espera.

Já o administrador do Centro Hospitalar de Lisboa Norte (CHLN), Carlos Martins, assegurou que os tempos de espera na oncologia são cumpridos e que os problemas apontados pelo diretor do serviço foram resolvidos na quarta-feira.