A candidata da CDU à Câmara Municipal do Porto esteve esta quarta-feira na TVI24. Depois de quatro anos como vereadora sem pelouro na cidade invicta, Ilda Figueiredo entende que a pandemia da covid-19 veio acentuar as desigualdades sociais, apontando o dedo à gestão da autarquia.

A gestão camarária não pôde resolver, não quis resolver [o problema das desigualdades]", afirmou, apontando que mais de três mil famílias vivem em más condições.

Para a candidata da coligação formada pelo PCP e pelos "Verdes", que vai a votos no próximo dia 26 de setembro, ficou por fazer muita coisa, nomeadamente na habitação social. Apesar disso, admite que "há um ou outro bairro onde alguma coisa foi feita, e isso melhorou".

Ilda Figueiredo diz que este problema não é exclusivo dos bairros sociais, e defende a criação de gabinetes próprios para dar apoio às famílias, mas também ao movimento associativo.

Sobre a aceitação e recetividade do atual presidente da Câmara do Porto a propostas da oposição, a candidata diz que um outro projeto foram aceites, mas destaca a "a especulação imobiliária", um "problema muito sério" que "reinou na cidade".

A especulação imobiliária fez com que muitos moradores e famílias fossem empurrados para fora da cidade", referiu.

Para resolver este problema, Ilda Figueiredo defende uma contenção na abertura de novos alojamentos locais, sejam hostels ou hotéis na zona centro, lembrando que há moradores a receber ações de despeso, algo que "tem de ser travado".

Aqui, a candidata diz que deve ser aproveitado o Plano de Recuperação e Resiliência traçado pelo Governo, que recebe fundos europeus a destinar a várias áreas, sendo um dos pontos a habitação.

Aqui, a candidata da CDU diz que deve ser a autarquia a exigir as verbas necessárias, mas que também deve preparar os instrumentos para colocar em prática esses fundos: "Rui Moreira foi reivindicativo para algumas coisas, para esta não foi".

Perdemos nos últimos dez anos muitos milhares de habitantes", mencionou.

Dizendo que muitas das famílias não têm dinheiro para pagar as rendas que estão a ser praticadas atualmente, Ilda Figueiredo diz que deve ser assegurado à população que a despesa da casa não é superior a 30% do vencimento.

O caso Selminho

Durante o mandato de Rui Moreira saltou para o público o chamado Caso Selminho, no qual o presidente da Câmara Municipal do Porto está acusado de favorecer a imobiliária da família, da qual era sócio. O julgamento está marcado para dia 16 de novembro, já depois das eleições autárquicas.

Neste caso, Ilda Figueiredo diz que a CDU entende que a atuação de Rui Moreira foi "incorreta", dizendo que "foi graças à pressão da CDU" que alguns dos terrenos em causa foram devolvidos ao município.

Tudo isto é muito nebuloso. Mas está em tribunal, e esperamos que o tribunal se pronuncie", acrescentou.

A CDU aguarda assim a conclusão do processo para se pronunciar, mas não recusa comentar o caso quando for questionada sobre isso.

António Guimarães