A deputada do CDS Isabel Galriça Neto defendeu esta quarta-feira que a resposta ao impasse do subsistema de saúde ADSE tem de “tranquilizar os beneficiários”, e salientou não estar a ver “capacidade negocial” para lá chegar.

Estamos muito preocupados em relação à questão da ADSE, muito preocupados mesmo, porque efetivamente a resposta tem que ser para tranquilizar os beneficiários, disse a deputada numa comunicação aos jornalistas na Assembleia da República.

A deputada salientou não estar “a ver capacidade negocial por parte da equipa da ADSE para o fazer”, mas, ao invés, “ingerência política numa área que é da autonomia e que não devia depender de orientações do Governo”.

Nas últimas semanas alguns grupos privados de saúde ameaçaram suspender as convenções com a ADSE, depois de o instituto público presidido por Sofia Portela ter exigido o pagamento de 38 milhões de euros em regularizações, por excesso de faturação.

Falando também no parlamento, onde foi ouvida na comissão parlamentar de Saúde, Sofia Portela disse que “dentro de muito pouco tempo” irá apresentar aos prestadores de saúde privados a nova tabela do regime convencionado com preços fechados.

Apontando que o CDS irá continuar a acompanhar este tema, Isabel Galriça Neto indicou também que o programa eleitoral dos centristas “seguramente” contemplará uma “orientação e uma visão concreta para que a ADSE se possa manter ao serviço dos seus beneficiários”.

O tema da saúde é central nas preocupações do CDS desde o início desta legislatura e, lamentavelmente, três anos depois não temos razões para estar tranquilos”, salientou, falando num “novo aumento de dívidas em janeiro” e nos tempos de espera.

Assim, para o CDS, a “situação em torno da ADSE, o problema da greve dos enfermeiros e a incapacidade negocial, a questão da deriva ideológica a condicionar a Lei de Bases da Saúde, nada disso pode funcionar como cortina de fumo para esconder os graves problemas do Serviço Nacional de Saúde”.

As questões da falta de paz social, da conflituosidade que se vive na saúde, seja nos temas da ADSE, seja nas questões dos enfermeiros e da continuidade das greves, a preocupação central que temos é de que forma isto se repercute para os cidadãos, porque efetivamente este Governo não está a ser capaz de lidar com este tipo de problemas, e quem se vê altamente prejudicado são os cidadãos”, apontou a eleita.

Na opinião de Isabel Galriça Neto, “o que tardam são respostas desta equipa governativa, que foi remodelada, mas não fez mais do que agravar um conjunto de problemas”.

Falando aos jornalistas num dia em que está agendada uma interpelação ao Governo, requerida pelo PCP, precisamente sobre a política de saúde e o Serviço Nacional de Saúde (SNS), a democrata-cristã aproveitou ainda para denunciar as “demissões que se têm somado umas às outras” e que “vão em mais de uma dezena por parte de profissionais”.

O último caso conhecido é o do Hospital de Leiria”, referiu, questionando o que tem o Governo a dizer “sobre uma situação em que os profissionais relatam falta de segurança clínica para os utentes, falta de condições de trabalho”.

Questionando ainda “de quem é a responsabilidade desta situação”, a deputada Isabel Galriça Neto advogou que “não vale continuar a culpar anteriores equipas, é preciso tomar soluções”.

PCP diz que Governo não pode “ceder à chantagem” dos grupos privados

O PCP defendeu esta quarta-feira que o Governo não pode “ceder à chantagem” dos grupos privados que prestam cuidados de saúde, devendo, pelo contrário, reforçar o Serviço Nacional de Saúde (SNS) através da contratação de mais profissionais.

A resposta que é necessária dar por parte do Governo para responder a tão poderosa e intensiva ofensiva [dos grupos privados] é não ceder à chantagem e reforçar o SNS”, disse a deputada comunista Carla Cruz, no plenário da Assembleia da República, em Lisboa.

Carla Cruz falava na abertura da interpelação ao Governo, requerida pelo PCP, sobre “política geral centrada na política de saúde e nas medidas necessárias para valorizar o SNS e garantir o direito das populações à prestação de cuidados de saúde acessíveis e de qualidade”.

Considerando que “esta operação de chantagem deixa claro que não é o direito à saúde que move os grupos privados, mas sim transformar a doença em lucro”, Carla Cruz disse que “a ofensiva contra o SNS visa abalar os pilares fundamentais do serviço públicos”.

Com isso, continuou, os “grupos económicos e os seus representantes políticos pretendem aprofundar a privatização da saúde com o apoio financeiro do Estado e a promiscuidade entre setor público e setor privado”.

Pelo contrário, defendeu a deputada comunista, o que o SNS precisa é de “uma aposta determinada e efetiva no investimento público que dê resposta à suas necessidades”, pois “o combate às listas de espera faz-se através da contratação de profissionais de saúde, com a abertura de vagas nos concursos para os hospitais que necessitam desses profissionais”.

As listas de espera para consultas e cirurgias são um obstáculo aos cuidados de saúde, como o são as taxas moderadoras e os critérios de atribuição de transporte não urgente de doentes. Estes obstáculos só persistem porque, mais uma vez, PSD e CDS deram ao PS e ao Governo o apoio que era preciso para chumbar as propostas que o PCP apresentou para remover tais obstáculos”, assinalou.

Por isso, "é preciso romper com a política de direta e com a ideologia do negócio da doença”, salientou Carla Cruz.