A porta-voz do PAN escusou-se esta sexta-feira a entrar no “'bluff' político” de acenar com votos contra o Orçamento do Estado e depois viabilizar a proposta do Governo, reiterando que o sentido de voto continua em aberto.

Eu acredito que não sejam só ameaças porque há de facto aqui uma saturação do ponto de vista daquilo que possa ser uma falta de execução de medidas e uma dificuldade até mesmo em, logo em sede de generalidade, vermos inscritas mais medidas de todo um diálogo que se arrasta há meses”, afirmou Inês Sousa Real.

No final de uma visita ao Banco de Lei Humano, na Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, a líder do Pessoas-Animais-Natureza foi questionada sobre os acenos de PCP e BE de voto contra a proposta do Orçamento do Estado para 2022 (OE2022) na generalidade e a possibilidade de uma crise política caso a proposta seja rejeitada.

Aquilo que nós não compreendemos é ações de ameaças ou ‘bluff’ político. O PAN não entra nessa jogada, o PAN já deixou bem claro que para si está tudo em aberto precisamente porque nós sentámo-nos à mesa do diálogo e fizemos o trabalho de casa”, salientou.

“‘Bluff’ político de que vamos votar contra, mas depois, afinal, até viabilizamos ou até mesmo quando o bloco central para tanta coisa se une, nomeadamente para coartar os direitos das demais forças políticas, como foi o caso da alteração à lei eleitoral ou o fim dos debates quinzenais, e depois não estarem disponíveis para se entenderem também no que respeita ao Orçamento do Estado, isso é que nós não acompanhamos este tipo e forma de fazer política”, acrescentou a líder do PAN.

Apontando que o “Governo deveria ter tido maior acolhimento das propostas dos outros partidos” logo na proposta de OE2022 que apresentou para ser debatida e votada na generalidade, Inês Sousa Real disse ser necessário ver “até onde é que o Governo estará disponível a ir” na negociação com os outros partidos.

/ JGR