A líder do PAN, Inês Sousa Real, reagiu, esta quarta-feira, à notícia da detenção de Luís Filipe Vieira, na sequência de um caso que investiga suspeitas de burla, abuso de confiança e branqueamento de capitais, considerando que esta significa um "sinal claro de que não há cidadãos intocáveis para a Justiça”.

Apesar de ter tardado, é importante acautelar que as perdas relacionadas com o Novo Banco e a Caixa Geral de Depósitos que estão associadas a Luís Filipe Vieira são recuperadas”, salientou, ressalvando que tem de ser respeitada “a presunção de inocência”.

A deputada lamentou ainda que a iniciativa do PAN de limitar a possibilidade de o deputados exercerem cargos associativos em sociedades desportivas esteja a merecer “muita resistência” no parlamento.

É da maior importância que exista esta separação e que não existam apoios ou adesões em comissões de honra por parte de entidades políticas que possam pôr em causa a confiança dos cidadãos no poder judicial”, afirmou.

O Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) informou que o Ministério Público deteve hoje um dirigente desportivo, dois empresários e um agente do futebol e realizou cerca de 45 mandados de busca a sociedades, residências, escritórios de advogados e uma instituição bancária, em Lisboa, Torres Vedras e Braga.

Esta informação não revela os nomes dos arguidos, porém, fonte ligada ao processo, confirmou à agência Lusa que um dos detidos é o presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira.

No comunicado do DCIAP, os quatro detidos, que segundo vários órgãos de comunicação social são, além de Luís Filipe Vieira, o seu filho Tiago Vieira, o empresário José António dos Santos, conhecido como “o rei dos frangos”, e o agente desportivo Bruno Macedo, são suspeitos de estarem envolvidos num processo em que se investiga “negócios e financiamentos em montante total superior a 100 milhões de euros, que poderão ter acarretado elevados prejuízos para o Estado e para algumas das sociedades”.

Refere o Ministério Público que em causa no processo estão “factos ocorridos, essencialmente, a partir de 2014 e até ao presente” e suscetíveis de serem “crimes de abuso de confiança, burla qualificada, falsificação, fraude fiscal e branqueamento”.

Está previsto que os detidos sejam presentes na quinta-feira a primeiro interrogatório judicial com vista à aplicação de medidas coação, tendo em conta “indícios já recolhidos, com vista a acautelar a prova, evitar ausências de arguidos e prevenir a consumação de atuações suspeitas”.