A Câmara de Lisboa aprovou esta quinta-feira Inês Ucha como presidente do conselho de administração da SRU, substituindo Manuel Salgado, que se demitiu do cargo por ter sido constituído arguido num processo que envolve a CUF Tejo.

A proposta, aprovada com oito votos a favor, cinco abstenções e quatro votos contra, visa mandatar o vereador Miguel Gaspar, enquanto representante do município na SRU - Sociedade de Reabilitação Urbana, votar favoravelmente a eleição de Inês Ucha como sucessora de Manuel Salgado na empresa municipal.

A votação realizou-se presencialmente e por voto secreto.

Além do presidente da autarquia, o socialista Fernando Medina, integram o executivo municipal seis vereadores eleitos nas listas do PS, quatro vereadores do CDS-PP, dois vereadores do PSD, dois vereadores do PCP e um vereador do BE (partido que tem um acordo de governação da cidade com o PS).

Inês Ucha, atual vogal executiva da SRU, “já manifestou concordância com a substituição" e “tem revelado dispor dos requisitos necessários ao exercício das funções de presidente do conselho de administração”, considera a câmara no documento.

Para substituir Inês Ucha enquanto vogal executiva do conselho de administração da SRU, função remunerada e em regime de exclusividade, a autarquia aprovou Jorge Lavaredas Francisco.

Já para desempenhar o cargo de vogal não executivo, a câmara aprovou António Furtado, Diretor Municipal de Gestão Patrimonial, que substitui João Paulo Saraiva - também vice-presidente da Câmara de Lisboa - que renunciou ao cargo na SRU.

António Furtado estará na empresa municipal de reabilitação urbana “em regime de acumulação de funções” e sem remuneração.

O ex-vereador da Câmara de Lisboa Manuel Salgado pediu a demissão da SRU, numa carta datada de 12 de janeiro e à qual a Lusa teve acesso na semana passada, depois de ter sido constituído arguido num processo que envolve o Hospital CUF Tejo, aprovado quando era responsável pelo pelouro do Urbanismo.

Fernando Medina informou depois que aceitou o pedido de demissão “com a relutância e tristeza de saber” que a decisão “não decorre de qualquer obrigação legal ou ética”, mas sim “da profunda degradação que o debate no espaço público atingiu”.

O presidente da autarquia realçou que “o processo em concreto resultou de profundo trabalho técnico por variados departamentos municipais e foi sujeito a profundo escrutínio na decisão pelos competentes órgãos municipais”.

Manuel Salgado considera no carta enviada que o pedido de demissão “é o procedimento correto a adotar”, mas rejeita ter praticado “qualquer ato ilícito”.

Será em sede própria, no momento oportuno e pelos meios que se encontram ao meu alcance, que me irei defender, repor a verdade dos factos e reagir contra atentados à minha honra e bom nome”, afirma o arquiteto na carta de demissão.

Quando se demitiu do cargo de vereador com o pelouro do Urbanismo na Câmara de Lisboa, o ex-vereador chegou a reconhecer numa entrevista que a volumetria do Hospital CUF Tejo, em Alcântara, era excessiva e que à data (2019) não o teria aprovado.

Manuel Salgado anunciou a demissão do pelouro do Urbanismo na Câmara de Lisboa, do qual era responsável desde 2007, em julho de 2019, tendo a sua saída sido efetivada em 07 de outubro do mesmo ano.

Dias depois de ter abandonado o cargo, a Câmara de Lisboa aprovou, com nove votos a favor e oito contra, a reeleição do arquiteto e ex-vereador do Urbanismo como presidente do conselho de administração da SRU.

/ HCL