O Presidente da República, o primeiro-ministro e os partidos reúnem-se novamente na terça-feira com epidemiologistas, mas desta vez por videoconferência, num momento em que o país se encontra em confinamento geral por causa da covid-19.

No Infarmed, em Lisboa, a partir das 10:00, estarão presentes a maioria dos epidemiologistas e a ministra da Saúde, Marta Temido, e os restantes participantes vão acompanhar a reunião por videoconferência.

Esta reunião, a décima terceira nas instalações do Infarmed em Lisboa, num total de 14 até agora realizadas, será transmitida nas redes sociais do Governo, adiantou à agência Lusa a mesma fonte do executivo.

Pela Direção Geral da Saúde, André Peralta Santos abre a reunião com uma intervenção sobre a situação epidemiológica do país, seguindo-se uma comunicação de Baltazar Nunes, do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, sobre a evolução da incidência e transmissibilidade da covid-19.

Depois, também pelo Instituto Nacional de Saúde Ricardo, Jorge João Paulo Gomes fala sobre as variantes genéticas do novo coronavírus em Portugal, e Manuel Carmo Gomes, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, sobre a evolução epidemiológica e critérios de atuação.

Antes do debate, com início previsto para as 12:00, Henrique de Barros (Universidade do Porto) fará uma comunicação em matéria de vacinação e seus efeitos nos internamentos e na mortalidade, Carla Nunes (Universidade Nova de Lisboa) abordará a questão das "perceções sociais" sobre a covid-19 e, finalmente, o novo coordenador da `task force´ para o plano de vacinação em Portugal, Henrique Gouveia e Melo, fará um ponto de situação sobre a forma como está a evoluir este processo no país.

A última reunião realizou-se em 12 de janeiro e teve como uma das novidades o facto de terem sido convidados para participar por videoconferência todos os candidatos presidenciais às eleições do dia 24 desse mês.

No final dessa reunião, o primeiro-ministro afirmou aos jornalistas que havia um grande consenso para que as medidas de confinamento geral então a decretar tivessem um horizonte de pelo menos um mês, já que Portugal registava nessa altura uma dinâmica de "fortíssimo crescimento" de casos de covid-19.

Três dias depois, no dia 15, Portugal continental entrou num novo confinamento geral, com os portugueses sujeitos ao dever de recolhimento domiciliário.

Inicialmente, o Governo manteve as escolas com o ensino presencial, mas corrigiu essa decisão na semana seguinte e suspendeu as aulas de todos os graus de ensino face ao continuado agravamento da situação epidemiológica do país.

Em Portugal, desde 15 de janeiro, vigora o dever geral de recolhimento domiciliário, em que apenas se prevê deslocações autorizadas num quadro muito limitado, designadamente para comprar bens e serviços essenciais ou desempenho de atividades profissionais.

O Governo determinou a obrigatoriedade do teletrabalho, sempre que as funções em causa o permitam, sem necessidade de acordo das partes, prevendo que o seu incumprimento seja considerado uma contraordenação muito grave.

Na que se refere ao comércio e serviços, estão abertos estabelecimentos como mercearias e supermercados, com lotação limitada a cinco pessoas por 100 metros quadrados, sendo também permitida a realização de feiras e mercados nos casos de venda de produtos alimentares.

Os restaurantes e cafés funcionam exclusivamente para efeitos de atividade de confeção destinada a consumo fora do estabelecimento através de entrega ao domicílio ou ?take-away', estando proibidas a venda de bebidas através de postigo.

Ao contrário do que ocorreu em março e abril de 2020, na primeira vaga da pandemia, desta vez estão abertos os consultórios médicos e os dentistas, assim como as farmácias, mas voltaram a encerrar os cabeleireiros e barbearias, equipamentos culturais, ginásios e termas.

Ao fim de três semanas de vigência de normas apertadas de confinamento, o país tem registado nos últimos dias sucessivas reduções do número de infetados com o novo coronavírus, embora os hospitais permaneçam sob grande pressão e continuem a aumentar ligeiramente o número de internamentos e de doentes em cuidados intensivos.

No Governo, é praticamente certo que nenhuma medida de alívio das restrições à atividade será levantada a curto prazo. Entre os epidemiologistas, prevalece a tese de que o país não poderá começar a desconfinar enquanto não baixar de forma sustentada para os dois mil casos novos de infeção por dia.

Hoje, Portugal registou hoje 196 mortes relacionadas com a covid-19 e 2.505 casos de infeção com o novo coronavírus, segundo a Direção-Geral da Saúde (DGS).

O boletim da DGS revela também que estão internadas 6.344 pessoas, mais 96 do que no domingo, das quais 877 em unidades de cuidados intensivos, ou seja, mais 12.

/ RL