A Iniciativa Liberal rejeitou o desafio do Chega para uma conferência de direita, uma proposta que considera não ser séria e apenas propaganda, avisando os portugueses que, para uma alternativa, os votos no partido de André Ventura serão desperdiçados.

Numa nota enviada à agência Lusa, o partido liderado pelo deputado liberal João Cotrim Figueiredo reage assim à “carta anunciada publicamente e posteriormente enviada pelo presidente do partido Chega desafiando os partidos do espaço não-socialista para um encontro”.

Discussões políticas sérias não são propostas previamente em público. Como esta o foi, não é uma proposta séria e visa apenas, e uma vez mais, efeitos de propaganda para a qual a Iniciativa Liberal não contribuirá”, critica.

Segundo os liberais, os portugueses sabem que o partido “luta energicamente, e contribuirá construtivamente, para uma alternativa política ao socialismo vigente que tem levado o País a este torpor vegetativo, pouco ambicioso e muito dependente do Estado”.

Mas é importante que os portugueses também saibam que na construção dessa alternativa os votos no Chega serão votos irremediavelmente desperdiçados. À carta enviada dizemos: não”, avisou.

De acordo com a mesma nota do partido liderado por João Cotrim Figueiredo, “o Chega exibe uma forma messiânica de fazer política que discrimina, divide e faz apelo ao pior que a natureza humana tem”.

A sua visão de sociedade é marcadamente iliberal e está nos antípodas daquela que a Iniciativa Liberal defende. Para isso a Iniciativa Liberal nunca contribuirá”, sublinhou.

Segundo os liberais, “o Chega acha que, se o seu desafio for recusado, poderá manter o seu discurso choroso de quem se acha vítima do sistema existente, ao mesmo tempo que revela uma enorme ânsia em pertencer e em beneficiar das mordomias desse mesmo sistema”.

O Chega acha que, se o seu desafio for aceite, passará a ser visto como o autodesignado cabecilha de uma alternativa ao socialismo que nos desgoverna”, condenou ainda.

A Iniciativa Liberal, refere a mesma posição, “não só não contribuirá para essa pretensão tola, como relembra que a inconsistência das posições políticas do Chega e os seus tiques totalitários e estatizantes o tornam mais um clone do que uma alternativa ao PS”.

Talvez isso explique a razão pela qual o PS sustenta o peso político do Chega”, atirou.

Em finais de julho, à saída de uma audiência com o Presidente da República, no Palácio de Belém, o presidente do Chega, André Ventura, anunciou que ia entrar em contacto com PSD, CDS-PP e Iniciativa Liberal para construir “uma plataforma de convergência” à direita, que se apresente como alternativa ao Governo de António Costa.

Vamos voltar a propor, a todos, todos sem exceção, Iniciativa Liberal, CDS-PP e PSD, que possamos pelo menos ter uma plataforma de convergência, uma plataforma de conversa, para apresentar ao senhor Presidente da República, caso isso seja necessário, uma alternativa de Governo, que eu acho que é momento e altura de começarmos a construir”, declarou então.

/ JGR