O Conselho Nacional do PSD reúne-se no sábado e, além da análise da crise política e do pedido de antecipação do Congresso, poderá discutir a sugestão do presidente Rui Rio para “comprimir” todo o calendário eleitoral interno, incluindo diretas.

A reunião em Aveiro foi pedida, de modo extraordinário, através de um requerimento de mais de 60 conselheiros nacionais e dirigentes distritais que pediam a antecipação do Congresso para 14, 15 e 16 de dezembro, em vez da data inicialmente marcada, entre 17 e 19 de janeiro, devido à previsível marcação de legislativas antecipadas.

O requerimento entregue na sede nacional em 28 de outubro (um dia depois do ‘chumbo’ do Orçamento do Estado), mantinha as eleições diretas para a escolha do presidente do PSD em 04 de dezembro, e pedia um Conselho Nacional extraordinário em cinco dias, com um ponto único na ordem de trabalhos: alteração ao Regulamento da Eleição do Presidente da Comissão Política Nacional e do 39.º Congresso Nacional, e respetivo cronograma, que tinham sido aprovados na reunião anterior, em 14 de outubro.

O presidente do Conselho Nacional, Paulo Mota Pinto, deu conta da resposta no domingo, dia 31, na qual disse ter também recebido, em 29 de outubro, um outro requerimento da direção do PSD que pedia que se incluísse na agenda da reunião a “análise da situação política decorrente da reprovação do Orçamento do Estado para 2022 e da previsível dissolução da Assembleia da República”.

Mota Pinto convocou o Conselho Nacional para 06 de outubro, em Aveiro (o local mudou, entretanto, de um hotel para o Centro de Congressos da cidade, com mais espaço para conselheiros eleitos e observadores) e incluiu os dois pontos na ordem de trabalhos.

O presidente do PSD e recandidato, Rui Rio, foi reiterando - em público e numa carta aos militantes - o apelo a uma ponderação das desvantagens para o partido realizar “ao mesmo tempo” as eleições internas com a preparação para as legislativas.

Rio assegurou que não voltará a propor um pedido de suspensão formal do calendário interno para depois das legislativas - que foi rejeitado no Conselho Nacional de 14 de outubro com 71 votos conta, 40 a favor e 4 abstenções -, embora admita que qualquer conselheiro com direito a voto o possa fazer e que o facto de a crise política se ter tornado real pudesse influenciar uma eventual votação.

Fonte da direção recordou que, segundo o regulamento do Conselho Nacional, qualquer decisão poderá ser sujeita a voto secreto (no último foi de braço no ar que se rejeitou suspender o calendário), caso tal seja pedido “por um quinto dos membros do Conselho Nacional presentes”.

No entanto, na quinta-feira à noite, em entrevista à TVI e já depois de o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, ter anunciado a marcação de legislativas antecipadas para 30 de janeiro, Rui Rio introduziu uma nova possibilidade: antecipar todo o calendário - diretas e congresso - para dar “menos tempo” de vantagem ao PS para fazer a campanha “livremente”, enquanto o PSD discute internamente a sua liderança.

Na entrevista à TVI, o presidente e recandidato ao cargo voltou a defender que para ser “como devia ser”, o PSD devia estar “sem tumultos internos, todos unidos, todos focados para derrotar o PS em janeiro”, e aproveitar os meses de novembro, dezembro e janeiro para essa tarefa.

Estão a dizer que, se fizer isso, se suspende a democracia e que tenho medo de eleições. Então, vou fazer um exercício - não sei se consigo, vamos ver se consigo - de comprimir isto tudo, diretas e congresso. Se se ganhar uma ou duas semanas é tempo que tiramos ao PS a nosso favor”, defendeu.

A proposta formal de Rio só deverá ser conhecida no sábado, mas, entre apoiantes de Paulo Rangel, refere-se já não ser possível antecipar as diretas, que têm de coincidir com a eleição de delegados e que, por sua vez, exigem uma convocatória mínima de 30 dias.

Do lado dos apoiantes do atual do presidente, considera-se que a convocatória foi feita respeitando o prazo de 30 dias, tratando-se apenas de “alterar a data” da eleição.

/ HCL