A embaixadora da União Europeia na Venezuela, a portuguesa Isabel Brilhante Pedrosa, deixou esta terça-feira o país, depois de ter sido declarada persona non grata pelo governo do presidente Nicolás Maduro, deixando uma mensagem de agradecimento aos venezuelanos.

A senhora embaixadora já deixou o país, no avião que acaba de descolar”, disse fonte diplomática à Agência, referindo-se ao voo TK224 que partiu do Aeroporto Internacional Simón Bolívar de Maiquetía (norte de Caracas) pelas 12:04 horas locais (16:04 horas em Lisboa), com destina a Istambul, na Turquia.

Pouco antes de partir a embaixadora publicou uma mensagem no Twitter, com uma foto de Caracas, a capital da Venezuela, e agradecendo “o carinho” dos venezuelanos.

Hoje, 2 de março, Caracas presenteou-me com o mais lindo nascer do sol, com o Ávila (montanha que rodeia a capital venezuelana pelo norte) em todo o seu esplendor”, escreveu.

Na mesma mensagem a diplomata envia ainda “agradecimentos infinitos a todos os venezuelanos pelo seu carinho, reconhecimento e afeto”.

Levo-os, a todos, em tantas lembranças lindas. O meu coração fica aqui. Amo a Venezuela”, escreveu.

 O governo venezuelano notificou na quarta-feira a chefe da delegação da UE em Caracas, a diplomata portuguesa Isabel Brilhante Pedrosa, de que foi declarada ‘persona non grata’ e que deveria abandonar o país nas 72 horas seguintes.

A falta de “disponibilidade de voos” impediu, no entanto, segundo fontes diplomáticas, a embaixadora de deixar a Venezuela nesse prazo, o que só aconteceu agora, estando a caminho de Istambul numa viagem que tem Bruxelas como destino final.

A decisão de Caracas foi uma reação à decisão na semana passada dos chefes de diplomacia europeus de acrescentarem 19 pessoas à lista de personalidades ligadas ao regime venezuelano alvo de sanções por não reconhecer as eleições de 6 de dezembro, considerando que não cumpriram os padrões democráticos necessários.

Na quinta-feira, a UE retaliou da decisão de Caracas e decidiu declarar a chefe da missão venezuelana junto das instituições europeias, Cláudia Salerno Caldera, como ‘persona non grata’, mas esta não terá de deixar Bruxelas já que continua a ser embaixadora da Venezuela na Bélgica e no Luxemburgo.

Entretanto Caracas entregou notas de protesto à Espanha, França, Alemanha e Países Baixos, nações às que acusa de promover as sanções aprovadas pela UE, “sem consultar com os outros países, nem mediar, sem nenhum tipo de comunicação e sem o direito à devida defesa”.

Esta é a segunda vez que a Venezuela declara a diplomata portuguesa Isabel Brilhante Pedrosa como ‘persona non grata’.

Em 29 de maio de 2020, o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, ordenou a sua expulsão, dando-lhe 72 horas para abandonar o país, depois de Bruxelas ter sancionado mais 11 funcionários de Caracas.

A 2 de julho, Nicolás Maduro saudou um acordo entre Bruxelas e Caracas para suspender a expulsão da diplomata e instou a UE a mudar a relação com o país sul-americano.

/ AG