O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, classificou este domingo as medidas aprovadas pelo Governo no sábado como “desproporcionais, incongruentes e desadequadas”, defendendo que o caminho deveria ser o reforço do Serviço Nacional de Saúde (SNS).

Num comício em Castanheira do Ribatejo (no concelho de Vila Franca de Xira), Jerónimo de Sousa referiu-se às medidas aprovadas no Conselho de Ministros extraordinário e que concretizam o decreto do estado de emergência que vigorará entre segunda-feira e dia 23 de novembro.

As medidas adotadas pelo Governo na sequência da declaração do estado de emergência, aprovado esta sexta-feira na Assembleia da República, com o voto contra do PCP, afiguram-se não só desproporcionais, incongruentes e desadequadas como sobretudo não têm correspondência com as exigências colocadas no plano da saúde pública e da capacitação do SNS para enfrentar a epidemia de Covid-19, e para criar condições de proteção sanitária para que a vida nacional prossiga”, defendeu.

Jerónimo de Sousa criticou que, a pretexto da subida de casos de covid-19, aumentem “as vozes dos que reclamam mais restrições às liberdades, mais cortes de direitos e mesmo medidas mais musculadas, trocando a pedagogia pela via repressiva no combate à pandemia”

Aquilo de que o País necessita é de medidas que estimulem a proteção individual, promovam a pedagogia da proteção e assegurem condições de segurança sanitária para que a vida nacional possa prosseguir nas suas múltiplas dimensões”, defendeu.

O secretário-geral do PCP, Jerónimo de Sousa, prometeu que o partido fará o seu Congresso no último fim de semana de novembro e afirmou que “as liberdades não podem ser juguladas”.

No final, questionado pelos jornalistas se as medidas de liberdade de circulação não poderão condicionar ou impedir a reunião magna, Jerónimo de Sousa não queria responder a perguntas, mas acabou por reiterar a intenção dos comunistas.

Só para a descansar, faremos o congresso do PCP. As liberdades nunca podem ser juguladas”, respondeu.

No sábado, o Governo aprovou em Conselho de Ministros extraordinário as medidas que concretizam o estado de emergência que vai vigorar entre segunda-feira e 23 de novembro e que incluem o recolher obrigatório noturno durante a semana nos 121 concelhos de maior risco de contágio, entre as 23:00 e as 05:00.

Nestes 121 municípios, que abrangem 70% da população residente, ou seja, 7,1 milhões de habitantes em Portugal, incluindo todos os concelhos das Áreas Metropolitanas de Lisboa e do Porto, a restrição de circulação será alargada nos próximos dois fins de semana, vigorando entre as 13:00 e as 05:00.

Questionado no sábado se estas medidas restritivas da circulação poderão afetar a realização do Congresso do PCP, entre 27 e 29 de novembro, o primeiro-ministro, António Costa, salientou que estas se aplicam “aos próximos dois fins de semana”, não abarcando este período.

Esta é a fase em que temos de fazer este esforço. É agora e não mais tarde, como disse o Presidente da República, é neste esforço de novembro que vamos ganhar dezembro e a expectativa de tenros o Natal o mais normal possível”, afirmou.

Portugal contabiliza pelo menos 2.896 mortos associados à covid-19 em 179.324 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim da Direção-Geral da Saúde (DGS).

/ AG