No discurso que encerrou este domingo a  45.ª Festa do Avante! e já perspectivando as eleições autárquicas a "escassos vinte dias", Jerónimo de Sousa apelou a que os eleitores tornem o PCP "mais forte" nas urnas e lançou-se aos grupos económicos que afirma estarem na fila para utilizar os fundos europeus.

O secretário-geral do PCP voltou a apontar o dedo ao Governo pela falta de condições para negociar o próximo Orçamento do Estado e desenhou uma longa lista de exigências que vão desde a garantia de creche gratuita para todas as crianças ao investimento em equipamentos e trabalhadores que sirvam os idosos e cuidadores, passando ainda pelo aumento da oferta pública da habitação.

Medidas que crê traduzirem uma alternativa e uma "rotura" pelos quais o partido promete "bater-se em todos os níveis" e que não estão traduzidas no Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Aliás, Jerónimo, no discurso pautado por cânticos e aplausos, chegou mesmo a dizer que o PRR "não parte da necessidade do país, mas das imposições da União Europeia"

"Por mais milhões que possam ser anunciados, o país não sairá da cepa torta. Tudo isto impõe amplitude na resposta e nas opções", afirmou.

Jerónimo de Sousa dedicou ainda uma parte substancial de tempo na sua intervenção para criticar a organização e o reagrupamento "das forças do grande capital", "como se vê na articulação das confederações patronais e na ação convergente de 42 grupos económicos que se apresentam, agora a pretexto da recuperação do país, a exigir aquilo que melhor serve os seus interesses egoístas".

"Os mesmos que nunca perdem e continuam a ganhar milhões, mesmo em tempo de epidemia, como revela a reforçada distribuição dos seus dividendos em 2020 e a subida de transferências para paraísos fiscais", assevera.

Jerónimo de Sousa defendeu que “era preciso travar as pretensões dos senhores do medo e do mando, os senhores do dinheiro e as forças que os servem que aspiravam a limitar o exercício das liberdades, minar a democracia, dificultar o protesto e proibir a luta social e a ação coletiva nas empresas, no espaço público e nas instituições e levar longe, a pretexto da epidemia, a intensificação da exploração do nosso povo”.

“Era necessário dar confiança e esperança”, sublinhou, “combater o medo e ao mesmo tempo exigir as medidas e soluções para salvaguardar a saúde de quem vive e trabalha neste país, como sempre o fizemos, lutando e propondo medidas concretas, da vacinação à testagem e ao reforço do Serviço Nacional de Saúde”.

Por essas razões, defendeu o secretário-geral, o partido não aceitou “desde a primeira hora, nem que o vírus infetasse os direitos, nem que a luta fosse confinada , deixando o grande capital em roda livre”.

A 45ª Festa do Avante termina este domingo e representou o ponto alto das comemorações do centenário do PCP. O certame anual comunista teve este ano uma lotação máxima de 40.000 visitantes, mais 23 mil do que em 2020, ainda com limitações devido ao contexto de pandemia da covid-19 (como a apresentação de certificado digital de vacinação ou teste negativo).