O secretário-geral do PCP criticou, esta terça-feira, o PS por estar a "pensar" em conquistar uma "maioria absoluta" nas próximas eleições legislativas para não ter de "prestar contas a ninguém", nem entender-se com a CDU.

Num discurso numa sessão pública em Beja, Jerónimo de Sousa reagia a declarações do líder parlamentar do PS, Carlos César, que, na segunda-feira, disse ser fundamental uma vitória socialista com "maioria expressiva" nas legislativas para "evitar bloqueios" e libertar-se de "inércias" e reivindicou para o PS, não para o PCP ou Bloco, a responsabilidade pelos resultados na economia.

Segundo Jerónimo de Sousa, o "regresso" de PSD/CDS ao Governo "seria retomar um rumo de afundamento nacional" e "o PS de mãos livres significará a não resolução dos problemas estruturais do país, seja nos serviços públicos, seja no investimento público ou no combate às desigualdades".

Prova provada está nas declarações [de segunda-feira] de um alto responsável do PS [Carlos César], que veio falar de bloqueios e de inércia sem dizer porquê, sem dizer quem, sem dizer como, mas o que esta mensagem embrulhada e redonda significa é que o PS está a pensar que a solução boa seria uma maioria absoluta, porque assim não tinha de prestar contas a ninguém, nem convergir, nem entender-se com aqueles que sempre estiveram prontos para esses avanços", ou seja, a CDU, afirmou Jerónimo de Sousa.

Na sessão pública, que serviu para apresentar o atual deputado João Dias como primeiro candidato da CDU às legislativas pelo círculo eleitoral de Beja, o líder do PCP acusou o Governo PS de "propalar" a ideia de que está a resolver os problemas do país, mas "trata-se de uma completa mistificação".

Propalam a ideia de que se estão a resolver os problemas do país, dando como exemplo o crescimento da economia, aquém do que é preciso e anémica, e a diminuição do défice, mas trata-se de uma completa mistificação, já que os problemas de fundo que marcam a realidade portuguesa não foram, nem estão resolvidos e persistem graves problemas económicos e sociais sem resposta", disse.

Jerónimo de Sousa frisou que o PCP sabe "bem quão positivo foi o que se conseguiu" na atual legislatura, devido à intervenção da CDU na "relação de forças na Assembleia de República", mas também sabe que o que se conseguiu foi "insuficiente e limitado".

Sabemos que se ficou aquém na solução de muitos outros problemas a que era urgente dar resposta, porque o governo do PS, tal como antes PSD e CDS, optou pela política de submissão às imposições do Euro e da União Europeia e pela subordinação aos interesses do capital monopolista e com eles os constrangimentos, atrasos e problemas estruturais que o país enfrenta", disse.

Segundo Jerónimo de Sousa, "derrotou-se, em 2015, a versão mais retrógrada da política de direita, mas não a política de direita, que se mantém nos seus traços mais determinantes nas opções da governação do país, pela mão do PS, em convergência com PSD e CDS".

Portugal "continua a sofrer as consequências da política de direita de décadas de governos de PS, PSD e CDS" e com a qual "é urgente romper", frisou.

Jerónimo de Sousa defendeu que "é preciso avançar e não andar para trás, como pretendem PS, PSD e CDS" e "é inquestionável que Portugal precisa de outras soluções e a CDU tem soluções e propõe-nas ao povo" para a "resolução dos problemas do país".